Uma história incrível

Uma personalidade marcante na história do mundo, infelizmente nem tanto conhecida, é a de Thomas Paine, homem que participou das duas grandes revoluções, a da independência americana e a francesa e, nas duas, a opinião dele foi decisiva. Em janeiro de 1776, publicou um panfleto com o título “Senso Comum”, onde defendia a independência e manifestava muitas ideias que influenciaram a mente dos homens para o futuro. Deve ter sido o panfleto mais lido da história do mundo, por pelo menos um quinto dos americanos do norte. Em outro livro, também de grande tiragem, “Os Direitos do Homem”, Thomas Paine põe na boca das nações, referindo-se ao governo inglês, uma possível afirmativa que, ainda hoje, merece o nosso conhecimento e a nossa reflexão:
“Se ninguém tiver a bondade de se tornar meu inimigo, não necessitarei mais de armadas ou exércitos e serei obrigado a reduzir meus impostos”.
Ele disse, portanto, de maneira simbólica, mas muito esclarecedora, que as guerras não são maldades de inimigos, mas uma atividade econômica das nações poderosas para vender armas e manter sua indústria bélica.
A vida de Thomas Paine é uma prova do valor dos homens de grandeza intelectual (seus textos influenciaram muito a nossa maneira de pensar), mas há uma parte dela que se pode considerar como realmente incrível. Depois da Revolução na América do Norte, ele foi para a França, onde participou da Revolução Francesa, como membro da Convenção revolucionária e, além de ajudar na elaboração da Constituição, participou do processo contra o Rei Luís XVI. Outra demonstração do seu valor como ser humano, pois foi o único a dar voto contrário a matar o Rei, que, mesmo assim, acabou guilhotinado. Por isso, por se indispor com Robespierre, Thomas Paine foi excluído da Convenção, foi encarcerado e, na prisão, ficou à espera do dia de também ser guilhotinado. O carcereiro marcava a porta dos escolhidos para a guilhotina, mas ao marcar a porta da cela de Thomas Paine não se deu conta que ela estava aberta e a marcou pelo lado de dentro. Quando o encarregado de levar os presos que iam para a guilhotina veio buscá-los, a porta da cela de Thomas Paine estava fechada, a marca estava pelo lado de dentro e o encarregado não viu. Com isso, Thomas Paine ficou mais tempo preso (quase um ano) e escapou da guilhotina, libertado por influência de um diplomata americano.
Thomas Paine, nascido em 1737, morreu em 1809, praticamente esquecido e caluniado. Em seu enterro, apenas quatro pessoa, uma mulher amiga, dois filhos dela e um terceiro.
O valor de um homem compensa o desvalor de outros.