Um busto para Romildo

capa revisao

Ao comemorar o título histórico da Copa do Brasil no final do ano passado, Renato Portaluppi pediu um busto à sua imagem e semelhança em frente à Arena. Mas o verdadeiro protagonista desta conquista não tomou os holofotes para si. Não surfou na onda do sucesso, não apareceu mais do que deveria, e sua silhueta não recomendaria exatamente uma obra de arte no saguão do estádio: é de Romildo Bolzan o grande mérito pelo momento incrível e vitorioso do Grêmio. Renato tem se mostrado um treinador aceso e competente, é ídolo de onze em cada dez gremistas. Mas o herói contemporâneo do nosso Grêmio é Romildo, com sua gestão discreta, assertiva e eficiente.
Bolzan, aliás, foi o responsável por trazer Renato, um treinador com fama de boleiro e que não se atualizava, para substituir o então badalado Roger Machado, o Guardiola dos Pobres, aclamado no centro do País por suas entrevistas lúcidas e cheias de rebuscamento verbal. Mas este foi apenas um dos acertos do presidente gremista: em um verdadeiro jogo de xadrez com as finanças, Romildo aos poucos substituiu medalhões caros e de produtividade duvidosa, como Kleber Gladiador, Barcos e Marcelo Moreno, por atletas mais baratos, mais engajados e mais decisivos. Em dois anos e meio, a diretoria do Grêmio deu uma silenciosa aula de gestão que poderia balizar o trabalho de empresas e de entes públicos, com foco nos resultados e na eficiência. Saíram Marco Antônio, Leo Gago e Pará; chegaram Douglas, Michel e Leo Moura, apenas para que façamos um exercício de reflexão.
O salto de qualidade do Grêmio passa muito mais pela formação de um grupo consistente do que pela simples consolidação de 11 titulares e de um esquema de jogo bem montado: Renato tem opções, tem pluralidade de características no plantel e tem sobretudo reposição qualificada para cada peça do seu tabuleiro. E, claro, com as ferramentas adequadas, o técnico gremista mostra-se um conhecedor profundo de futebol, garantindo padrão de jogo, encontrando soluções e funcionando como um símbolo, um emblema da instituição vitoriosa e respeitada que hoje é o Grêmio. Com o folclórico e idolatrado Renato, o homem do busto. Mas sobretudo com Romildo Bolzan, a liderança serena, habilidosa e competente que conduz o clube para todas as glórias que se avizinham.

Texto: Francisco Brust