Tópicos dos trópicos

Não tenho a pretensão e nem talento para ser escritor profissional. Isso é ótimo, assim posso me dar ao luxo de escrever sobre o que quiser e quando me der na telha. Mas uma crônica é feita de temas atuais e de preferência polêmicos. Nisto reside o seu diferencial, seu charme. É feito pão de padaria: pode ser comido frio, mas quando vem quente e recém saído do forno, só esperando pra derreter a margarina tem outro sabor, atinge outro patamar gustativo.
A agilidade e contemporaneidade deste gênero literário, ao mesmo tempo que é seu ponto forte, também o torna tão perecível quanto um iogurte aberto fora da geladeira, logo fica impróprio pra consumo.
(Obs.: As analogias referindo-se a itens de um belo café matinal, me entregam que estou escrevendo pela manhã e ainda em jejum e tendo como trilha sonora o ronco das contrações peristálticas do meu estômago.)
Mas fiz esta introdução para afirmar que viver na terra do samba e ex do futebol é uma dádiva para um cronista, mesmo que amador. Assuntos não faltam, mesmo que nem sempre dignos ou nobres.
Mas vivemos dias agitados e por isso resolvi separar em dois tópicos o “textículo”.
Quinta-feira passada, 04/08, aqui na porção subtropical do país, a Polícia Civil e a Brigada Militar aderiram à paralisação em protesto ao parcelamento dos salários pelo governo do Estado do RS.
Entrei em pânico e muitas coisas e providências me passaram na cabeça para sobreviver incólume a este dia:
– Nossa ! Terei que pôr um alarme no meu carro!
– Que horror!! Não poderei andar tranquilamente pelas ruas da cidade!
– Minha nossa! Terei que chavear as três trancas do meu apartamento e mais as três grades até sair do prédio!
– Que Absurdo! Precisarei fazer um seguro do meu carro de mais de mil reais !
– Meu Deus! Não poderei levar dinheiro na carteira e nem andar com o celular na mão!
E agora? Quem poderá nos salvar já que o Chapolim Colorado já partiu para uma melhor?
Espera aí… acho que estou tendo um “déjà vu”…
Posso até estar enganado, mas tenho a sensação de que vivi em constante estado de alerta, a vida inteira me preparando para esse dia como se acordasse sempre para uma simulação de “24h de insegurança sem policiamento”.
Que bom que fui prevenido e me preparei adequada e antecipadamente para esse dia, pois assim, essa greve não vai mudar muita coisa no meu cotidiano.
Talvez eu possa incrementar me aparato com um colete à prova de balas. Esse eu ainda não tenho.
Mas reitero que a situação não é culpa dos policiais que merecem sim ser valorizados. A culpa é dos… Bom,vocês sabem. No fundo, no fundo, a culpa é de todos nós.
***
A abertura das Olimpíadas limpou um pouco a barra do Brasil e melhorou consideravelmente o astral olímpico.
Ainda bem, pois eu, como um dos cerca de 200 milhões de financiadores do evento, estava me sentindo como aquele pai da noiva que, mesmo contra o casório, gasta o que tem e o que não tem, financia, mas não organiza a festa, é extorquido pagando tudo o dobro do preço real, e ainda vê, ao final, os convidados indo embora falando mal da comida e da festa.
Inclusive eu não tinha dúvidas de que faríamos uma bela abertura. Se tem coisa que o brasileiro sabe fazer é festa.
Nosso calcanhar de aquiles está em outras áreas, tais como organização, cumprimento de prazos e honestidade.
Mas enfim, a Comissão Organizadora da RIO 2016 está, merecidamente de parabéns pela sua bela celebração inaugural.
Esperem! já ia me esquecendo de falar sobre o ápice da cerimônia de ontem no Maracanã: a Gisele como uma Garota de Ipanema Fashion! Que momento!
Aliás uma hora dessas conto para vocês a história verídica do meu praticamente quase noivado com a Miss Bündchen.
Mas, por hora, vou deixar quieto, até porque saí no lucro e tirei a sorte grande encontrando a mulher da minha vida Fabi Lessa, e deixei o abacaxi para o D’Cáprio e para o Tom Brady descascarem.
Talvez vocês não tenham essa experiência, mas eu lhes confesso que:
– Dá trabalho ser bonito.