Tecnologia

A explicação é simples e nós já a conhecemos: a toda ação, uma reação. Tudo tem dois lados, duas consequências, pelo menos. Toda tecnologia é boa e ruim. E, na mesma proporção, se é muito boa, também é muito ruim. E isso não tem volta. Os gênios já nos avisaram. Einstein foi um deles:

“A preocupação com o próprio homem e seu destino deve ser sempre o principal objetivo de todos os empreendimentos tecnológicos (…) para que as criações de nossa mente sejam uma benção, e não uma maldição, para a humanidade” (Citado por Mario Lívio, in A equação que ninguém conseguia resolver, Editora Record Ltda., Rio de Janeiro – RJ – 2008, página 67).

A tecnologia aumenta a capacidade humana, amplia os braços do homem, os olhos, a sua força, mas, se é uma benesse, pode também ser um mal, ser uma benção ou uma maldição. Os instrumentos tecnológicos podem ter usos diferentes, bons e ruins. Desde o primeiro balaio, a primeira roda, o primeiro motor, o primeiro computador, o uso tem dois lados, ou mais. O machado de pedra lascada servia para cortar e para abater caças e rivais. O telégrafo servia para enviar mensagens boas e ruins. O aumento da nossa capacidade de ver, com óculos, binóculos, telescópio, microscópio, etc., serviu à ciência, à astronomia, à biologia, etc., e também para nos apavorar com o que a gente ignorava, meteoros a cair, etc., além de espiar a vida alheia. A tecnologia, portanto, é uma faca de dois gumes, cada gume com uma função oposta. Uma faca ruim ou com muito corte. Quanto maior o benefício, maior poderá ser, proporcionalmente, o prejuízo.
O computador e, com ele, a internet e o telefone celular, etc., são instrumentos tecnológicos de grande poder capacitador. O humano já não é mais o mesmo. São óbvios os resultados e nem precisamos esclarecê-los. O mundo se transformou muito, os benefícios são grandiosos. O planeta Terra virou uma aldeia. Infelizmente, esse é o problema, os males resultantes podem ser usados na mesma proporção. Ganhamos a oportunidade de nos relacionar mais, de conhecer com mais facilidade, mas também perdemos muitos valores emocionais, sociais, etc., como a privacidade, etc.. De um lado, tudo ficou mais fácil, mais objetivo. De outro, menos poético e com menos esforço físico (o que não é bom, se não enganadoramente). Além de tantas outras vantagens e males evidentes que não há espaço para se discuti-los aqui.
Mas, se até então, as tecnologias aumentavam a nossa capacidade física, o computador aumentou a nossa capacidade mental. Em princípio, isso é muito significativo. Ainda iremos muito longe, bem mais do que já fomos. Prepare-se; você ainda não viu nada. Apenas começamos. Entretanto, se ganhamos a possibilidade de aumentar o tamanho do cérebro, também ganhamos a possibilidade de reduzir o tamanho das pernas, por obviedade, eis que elas parecem menos necessárias para caminhar no espaço abstrato das nossas relações sociais. As evidências de que o “cérebro” (o nosso poder mental) está maior estão aí, e de que as pernas ficarão menores, também. Precisamos agora atentar para o equilíbrio necessário. Usar uma capacidade sem dispensar a outra, ou a nossa felicidade poderá ficar capenga.