Somos co-responsáveis pelos destinos da Nação Fraternidade: Igreja e Sociedade

Este é o tema da Campanha da fraternidade 2015, sempre realizada no período da Quaresma. Este tema tem como centro de referência a mensagem de Jesus de Nazaré: Eu vim para servir.
Esta mensagem está presente no Evangelho que gera o novo. Ela contém os valores fundamentais da vida de cada cidadão do seu país e da sociedade, que são os valores do bem comum, da ética, da honestidade, da solidariedade, esperança, justiça e paz. São os valores do Reino de Deus que está presente em nós, Povo de Deus, aqui e agora com o compromisso de construí-lo.
A Campanha da Fraternidade é promovida pela CNBB à 51 anos, ela recorda o sofrimento de Jesus na sua caminhada para a cruz. É um chamado à reflexão para que voltemos nosso olhar ao autor da salvação, o Cristo crucificado pelo povo e ressuscitado para a salvação do Povo porque veio para servir e salvar. O Concílio Ecumênico Vaticano II, realizado de 1962 a 1965, está completando este ano 50 anos do seu encerramento. Infelizmente sua mensagem Povo de Deus, não foi levada a sério como deveria ser, também pela própria igreja que o Papa Francisco está tentando resgatá-la na prática. É muito importante entendermos que todos somos igreja, uma comunidade Povo de Deus em marcha.
Infelizmente muitos ainda pensam que igreja é casa, a nossa Catedral, por exemplo. Ela é importante sim para que os cristãos se encontrem e se reúnam como irmãos na fé, pela justiça e pela paz. Os primeiros cristãos se reuniam nas catacumbas de Roma, também porque eram perseguidos. É preciso tomarmos consciência que somos todos co-responsáveis na construção do nosso país. É por isto que a CNBB, vem promovendo e trabalhando temas urgentes em favor do povo brasileiro. Sua história, acompanha todo o processo histórico da trajetória do nosso país, desde a questão indígena, negra, a questão da terra, da política, da cidadania e do meio ambiente e ultimamente, temas como a ficha limpa, cujo abaixo assinado foi aprovado pelo Congresso Nacional. Agora estamos com a importante tarefa da reforma política, cujo abaixo assinado desde 2013, já está com mais de 9 milhões de assinaturas. Já assinaste a tua? Ainda há tempo.
Vivemos num sistema capitalista neoliberal prepotente e excludente que manipula e explora, sempre em favor do lucro, do dinheiro e do mercado. Temos que lutar juntos contra este sistema, para construir a sociedade que sonhamos.
Uma sociedade nova, necessita uma nova consciência coletiva na prática de uma militância voltada para o bem comum. As profundas transformações de um sistema capitalista, já foram testados e interrompidos desmontando o processo de conscientização resultando num marasmo alienante na nossa sociedade. Temos muito o que fazer e lutar juntos, dando-nos as mãos para conquistarmos outra sociedade e outro Brasil possível.
Estamos vivendo um mundo em crise em todos os sentidos, não só econômica mas principalmente pela falta de ética, falta de honestidade de uma moral mentirosa, corrupta e assassina que vem de longe no nosso país. São 515 anos de um Brasil belo e rico em todos os sentidos e ao mesmo tempo um Brasil corrupto desde a sua descoberta por Portugal. Os primeiros habitantes portugueses, que aqui chegaram eram os presos das cadeias de Lisboa. As vitimas? Os indígenas, os escravos, os pobres e oprimidos, dominados pelos sistemas dominadores, anti-democráticos e corruptos. Também chegaram missionários, mas de uma cristandade patronal da época, entre eles franciscanos, dominicanos e jesuítas. Os jesuítas foram os que mais marcaram presença, como Antonio Vieira no Norte, célebre pelos seus sermões. Anchieta, no Sul que aprendeu com os índios a língua Tupi, fundador da cidade de São Paulo e canonizado pelo Papa Francisco. Os Sete Povos das Missões, no Rio Grande do Sul perseguidos e expulsos por Portugal.
Somos uma nação de todos os povos do mundo de diferentes raças, costumes credos e culturas. Somos um liquidificador de diferentes sangues uma riqueza extraordinária, dom de Deus. Por que tanta ganância pelo dinheiro? Tanto roubo? Tantas injustiças? É certo que o corruptor já cresceu na prática da corrupção. As causas? São tantas! Por outro lado, temos experiências extraordinárias que, infelizmente não são divulgadas, principalmente pelos meios de comunicação. Sabemos que o ser humano tem uma tendência tanto para o bem quanto para o mal e isto o leva a preferir o corrupto, a ficha suja. Podemos comparar esta realidade, desde a condenação de Jesus. Recordemos a atitude de Pilatos, imperador de Roma e governador da Judéia. O costume da Páscoa Judaica era soltar um preso da cadeia. Pilatos perguntou ao povo: Quem vocês querem que eu solte? Barrabás ou Jesus? E o povo respondeu: Solte Barrabás (que era um assassino) E o que faço com Jesus que se chama o justo, perguntou Pilatos! E o povo respondeu: Crucifica-o Crucifica-o.
Eu acredito que estamos vivendo um momento histórico muito importante para a verdadeira transformação da nossa sociedade. Uma crise sempre leva a transformações positivas, ela passa por uma verdadeira metamorfose (transformação profunda como nas borboletas).
O momento democrático que estamos vivendo no nosso país, nos tem ajudado na descoberta das bandidagens dos corruptos. Por isso, a importância da reforma política que todos temos que apoiar, apoiando a Polícia Federal que deveria estar atuando já a muitos anos atrás, em todas as áreas, nas descobertas das corrupções da nossa história. Temos que dar um basta à lógica da mentira. Tomemos como lema das nossas lutas a mensagem desta campanha:
EU VIM PARA SERVIR. Este é o tempo favorável. Abracemos a Páscoa da Ressurreição.