Rumo ao fundo

O desenvolvimento tecnológico facilitou a vida material, mas trouxe problemas à vida emocional e às relações entre os seres. Cresceu o desrespeito pela vida, pelo patrimônio dos outros e, de modo geral, pela felicidade alheia. Havia uma muralha entre o bem e o mal. A moral, a atuação do Estado e a religião limitavam ao mínimo a passagem. Hoje há apenas uma linha tênue em que facilmente passa-se para o outro lado. Em algumas áreas do mundo social, há buracos nessa linha, e grandes, notadamente na atividade política, que passou a ser instrumento de riqueza fácil com o dinheiro público. O fim dos políticos deveria ser atingir abnegadamente a felicidade social. Boas atitudes administrativas até acontecem, mais por decorrência do fim maior, que é a vaidade, a posição social e o ganho financeiro.
Iremos reduzir a violência e resolver o problema da segurança (esteio da paz social e da felicidade individual), quando houver mais prevenção praticada por todos e não apenas pelas autoridades encarregadas. Todos precisam atuar preventivamente, direcionando a vida social e alterando a cultura negativa que vem crescendo dia a dia. Ainda assim, o resultado positivo e final levará mais de uma geração para ocorrer. O Estado (que, em tese, somos todos nós), deve atuar com ordem e disciplina. Devíamos ter permanecido vigilantes, mas a atuação política descambou para interesses pessoais. Há uma confusão entre política e administração pública. Bem pensado, não precisamos de políticos, mas de bons administradores públicos. Eles podem ser contratados. A função política e a ideia que temos dela precisa mudar substancialmente. Para os que estão na amurada, o barco da nação está à deriva, mas alguns se acomodam em suas cabinas e fingem não ver as ondas batendo e tudo a chacoalhar. Somos todos navegantes de primeira viagem (se não existe reencarnação) e ninguém consegue nadar nesse mar tempestuoso. Decerto por desuso, o valor do conhecimento foi jogado ao mar. Os piratas tomaram o navio, também irão morrer com a pilhagem das boias de salvação (os valores morais e intelectuais), mas não sabem disso ou fingem não saber. Estamos naufragando e o que fazemos é gritar por socorro. Tem alguém aí? Eu quero o meu bote salva-vidas‼!