Rompendo o silêncio

Anelize Sampaio

Tudo começou com o encantamento de um início de uma paixão. Jéssica B. Amaral abandonou o casamento para apostar em um novo relacionamento com promessas e esperanças. Dentro de um ano e meio, a vida amorosa passou a ser doentia com proibições e restrições. “Não saía de casa, não podia conversar com minhas amigas e até parentes. Minha vida era voltada somente para ele. Ele tinha muito ciúmes”, conta Jéssica que mora em Tramandaí e era noiva de um fotógrafo que trabalhava na Casa Civil.
O ciúmes não passava do medo que ela fizesse a mesma coisa que ele aprontava. Com o tempo, ela desconfiou e descobriu traições por meio de fotos e mensagens pelo celular. Após discussão, Jéssica passou a sofrer ameaças e agressões. Mas o silêncio foi rompido com a postagem de fotos nas redes sociais com os dizeres: “Estou hoje me expondo pra falar de um problema sério. Violência contra a mulher. No dia 5 de março fui espancada pelo meu ex noivo quando descobri uma traição e rompi com ele. Não tenho vergonha disso que estou fazendo. Não tenho medo. Quero alertar a todas as mulheres para que cuidem com quem andam. A pessoa mais querida e amável às vezes pode ser o pior monstro e está do seu lado na cama. Não aceite. Denuncie. Violência contra a mulher é crime”.
A postagem de seu relato nas redes sociais gerou uma grande repercussão e teve 1400 compartilhamentos. “Quero que as pessoas se espelhem na minha coragem para este tipo de violência diminuir. Recebo mensagens de pessoas que não conheço. Meu celular não para, é o tempo todo. Várias mulheres vieram falar comigo falando que já passaram por isso. A dor física já passou, mas ainda fica aquele sentimento de decepção”, conta.
Sobre os planos para o futuro, Jéssica quer recomeçar com uma nova vida de tranquilidade e justiça. “Tenho uma filha pequena e quero que ela não aceite as coisas de cabeça baixa. Ela tem que saber usar a sua voz e dizer não. Nunca vou ser submissa a nenhum homem, quem pensou que eu era estava enganado”. O agressor foi exonerado do seu emprego e não quis se pronunciar em entrevista com Jornal Bons Ventos.

Registros:

*A delegacia de Osório registra 15 casos ao mês de violência contra a mulher.

Dentre os registros de atendimento a mulher vítima e violência do Governo Federal – 1 semestre 2015 – 180:

*70,71% dos casos de violência ocorreram em relações heteroafetivas

*39,47 % dos casos ocorrem todos os dias

*50,53% dos casos iniciam no 1º ano de relacionamento afetivo.

*Em 31,22% dos casos foi percebido risco de feminicidio

*59,66% dos filhos presenciam as agressões

*A lei n 11340, de 07 e agosto de 2006 – Lei Maria da Penha cria mecanismos para coibir a violência doméstica familiar contra a mulher.

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