Pétalas e fragmentos

Felizmente, apesar do universo materialista em que vivemos, de vez em quando se renovam os valores emocionais. Embora livros de poesias não pareçam tão necessários, eles estão por aí. Os poetas estão a fazer poesias, a publicar seus livros. E há leitores.
Como definir a poesia? Por que fazer e ler poesias?
Os fatos e coisas não se definem apenas pelo que são, mas também pelo que realizam. Os significados estão na sua função instrumental. O ser humano depende de instrumentos não apenas físicos, mas, sobretudo, imateriais. Instrumentos de ser.
A poesia é mais que versos; ela tem uma virtude. Se não, por que fazê-las? Não se plantam flores apenas por sua beleza física; há um valor no ato de plantá-las. Além da metáfora, do contexto literário, poesias transmutam pedras em pétalas, sombras em luzes, desilusão em esperança. Poesias e flores têm beleza estética, é claro, e mais do que isso.
Talvez não seja necessário justificar-se, mas não é somente por vaidade que se faz poesia; é por necessidade emocional de dizer e sentir. Pode até não ser poesia o que a gente faz, pode até não dizer nada, mas a gente pensa que diz; o que importa é o que parece resultar. Certamente, há muitas “poesias” que são apenas versinhos do tipo “batatinha quando nasce se esparrama pelo chão…”. Não têm metáforas, não têm profundidade literária (na visão dos literatos formais), mas realizaram quem as fez e pelo menos alguns dos que as leram. Em sua simplicidade, trazem a pureza de ser e isso também conterá poesia. Quem faz e lê poesia é porque às vezes precisa dela. A verdade é que, desde os tempos mais remotos, há necessidade de poesias no mundo, ainda que contenham erros gramaticais, literários, etc. e que, no fundo, poesia seja somente uma maneira de dizer. Se não os fazedores de versos, os poetas e leitores de poesias não continuariam tão ativos. Sempre haverá sorrisos interiores, esperanças.