Os números

O mundo é matemático. Já se disse isso tantas vezes, desde séculos antes de Cristo, com Pitágoras e outros, que parece ingenuidade repetir. Tudo é número. Qualquer número que você pensar, estará determinando uma quantidade, uma forma, uma posição; estará dizendo algo, ainda que abstratamente. Essa a questão. Os números estão no mundo, são realidades, mas também são metáforas; são abstrações. São os nossos instrumentos de apreensão intelectual. Apreendemos o mundo com os números e suas relações, a matemática. Sem eles, não teríamos desenvolvimento tecnológico.
Os números, além de representar quantidade, forma, posição, etc., têm um significado abstrato. Por exemplo, o 1 (um), além de ser começo da contagem, de ser a unidade, ainda nos diz que a diversidade é inerente ao universo: tudo é um. Não existem duas árvores exatamente iguais. Duas pedras perfeitamente iguais. Nem duas pessoas exatamente iguais. Se existem, talvez, duas partículas básicas iguais, dois elétrons, por exemplo, será exatamente porque são a unidade, o começo. O planeta Terra é único, mas, se existir outro, certamente não será igual ao nosso, perfeitamente. O número um (1) limita o universo e a nossa capacidade de ser. O tempo é único. Não se pratica duas ações ao mesmo tempo, se não com pelo menos diferença de instantes. Olhar para uma cena é perder a outra. Enfim, o 1(um) é o alicerce do mundo; os números são contados um a um. Uma casa é construída tijolo por tijolo. Quando se passar do um, se estará abstraindo; a ideia de “cinco árvores”, etc. são abstrações, pois não existem cinco árvores iguais. Damos nomes iguais a coisas diferentes porque precisamos considerá-las unitariamente, a partir do um.
O dois (2) é tão presente no universo quanto o um (1), como, aliás, todos os números. Se as coisas em geral contam-se como soma de unidades, elas também somente podem ser vistas desde que tenham o outro lado: o sim e o não, o existir e o não existir, a noite e o dia, a tristeza e a alegria, o belo e o feio. O dois (2) é a base da criação. Em algum momento, a natureza precisou do dois para se multiplicar e, também, para dar mais segurança à vida. Somente com o dois foi possível criar a diversidade embora o um a signifique. O dois e seus múltiplos são a base da existência. Uma célula humana se reproduz em duas, quatro, oito, sempre se repetindo. A ideia de “terceiro excluído” diz que somente podemos afirmar, ou negar algo; não existe uma terceira possibilidade. O número dois prendeu a lógica; em nível lógico matemático, o dois é um limite intelectual. A cultura chinesa tem o yin e o yang como representação de forças opostas.
Enfim, os números são a estrutura física do universo e o nosso apoio intelectual. Poderíamos continuar, falando no número três, no número quatro, etc. Sem matemática, estaríamos na idade da pedra, ou antes.