O Outubro Rosa e a história de mulheres que enfrentaram o câncer

O movimento é conhecido no mundo todo e é voltado para a importância de descobrir e tratar o câncer precocemente

O outubro Rosa é um movimento popular internacionalmente conhecido e comemorado no mundo todo, que visa estimular as mulheres a lutar contra o câncer de mama, que atualmente, é o tipo de câncer mais frequente na mulher brasileira. Nesta doença, ocorre um desenvolvimento anormal das células da mama, que multiplicam-se repetidamente até formarem um tumor maligno. O movimento começou nos Estados Unidos, onde vários Estados tinham ações isoladas referentes ao câncer de mama e ou mamografia no mês de outubro, posteriormente, com a aprovação do Congresso Americano, o mês de Outubro tornou- se o mês nacional (americano) de prevenção do câncer de mama.
Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi nos Estados Unidos, começaram efetivamente a comemorar e fomentar ações voltadas a prevenção do câncer de mama, denominando como Outubro Rosa. Todas ações eram e são até hoje direcionadas a conscientização da prevenção pelo diagnóstico precoce. Para sensibilizar a população, inicialmente, as cidades se enfeitavam com os laços rosas, principalmente nos locais públicos, depois surgiram outras ações como corridas, desfile de modas com sobreviventes (de câncer de mama), etc.
A primeira iniciativa vista no Brasil em relação ao Outubro Rosa, foi a iluminação em rosa do monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista (mais conhecido como o Obelisco do Ibirapuera), situado em São Paulo-SP. No dia 02 de outubro de 2002 quando foi comemorado os 70 Anos do Encerramento da Revolução, o monumento ficou iluminado de rosa. A iniciativa partiu de um grupo de mulheres simpatizantes com a causa do câncer de mama, que com o apoio de uma conceituada empresa europeia de cosméticos iluminaram de rosa o Obelisco do Ibirapuera em alusão ao Outubro Rosa.
Em Osório a campanha ganha destaque com um trabalho diferenciado da Prefeitura, através da Secretaria da Saúde.
Para oportunizar que as mulheres possam ser atendidas, o horário de atendimento está sendo estendido neste mês, no Posto Central Dr. Flávio Silveira. O atendimento será nas quartas e sextas-feiras das 17h30min às 21 horas, especialmente para as mulheres que trabalham e não podem ir fazer coleta de CP durante o horário comercial.
Dentro da programação do Outubro Rosa terá também a tradicional Caminhada, denominada Marcha da Família pela vida e Caminhada Rosa, no dia 22 de outubro com saída da Praça das Carretas, às 9 horas.

 

Leni do Amaral 

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Leni do Amaral Silveira é casada com Osmar da Cunha Silveira, com quem tem quatro filhos, aos 49 anos descobriu o câncer de mama, e hoje, aos 58, resolve contar uma parte de sua história. É uma pessoa encantadora, que com toda positividade enfrentou o câncer de uma maneira divertida e sem perder o sorriso.

“Tudo começou em 2007, quando trabalhava nos Doces Maquiné, na época, comecei a notar que uma mama crescia mais que a outra, para mim que não tinha conhecimento não era algo desesperador. Certo dia, comentei no meu trabalho e as pessoas começaram a me aconselhar a procurar recursos, mas eu continuava achando que não era nada. Neste meio tempo, fui fazer uns exames, foi quando a doutora pediu uma mamografia. Eu nunca tinha feito, e fiz, já imaginando o que estava acontecendo. Tive que marcar minha consulta para Porto Alegre e foi então que lá, no Hospital de Clínicas, o médico me disse que eu estava com câncer de mama. Antigamente, as pessoas escondiam isso, mas hoje em dia os médicos falam naturalmente. Na hora que ele disse fiquei abalada e um pouco nervosa, mas em seguida passou, pois fui muito bem atendida pela equipe do Hospital, passei por muitas conversas com psicólogos, neurologistas, nutricionistas, fiz acompanhamentos, além de muitos exames. Me disseram que meu cabelo não iria cair, mas passados dois dias da primeira quimioterapia, durante o banho o meu cabelo caia. Meus filhos eram pequenos e eu não queria que eles vissem, então fui em uma amiga que tinha um Instituto de beleza, a Miriam, e pedi para que ela passasse a máquina zero, e depois disse às crianças que ela errou o corte (risos). Não me importei muito com isso, cabelo cresce, o importante é a saúde, ainda mais que eu já usava cabelo curto antes. No hospital eles doavam perucas, lenços e chapéus, pra mim isso foi divertido, pois cada vez que ia lá pegava algo diferente. As vezes eu ouvia, tu perdeu os cabelos, mas não perdeu o sorriso. Nas ruas, eu andava de lencinho por causa da curiosidade das pessoas. As vezes é triste, e a gente tem vontade de se esconder, mas é preciso reagir, é preciso seguir em frente e com o sorriso no rosto”.

 

Alzira Becker

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Alzira Conceição de Oliveira Becker também descobriu o câncer em 2007, aos 62 anos. hoje, aos 71, ela conta como foi enfrentar a doença. Ela destaca que o apoio da família, do marido e dos quatro filhos foi muito grande. Hoje em dia, Alzira vive a vida de uma forma muito ativa, faz exercícios, fisioterapia e arte terapia, além do mais, busca de diversas formas apoiar o Outubro Rosa, através de campanhas e até mesmo doando camisetas. Ela conta que foi a pioneira no Brasil a fazer implante dentário junto com a quimioterapia, fez um book fotográfico e teve sua foto divulgada nos Estados Unidos.

“Fui ao médico por causa de uma infecção urinaria e saí de lá com suspeita de um câncer de mama. Quando saiu o resultado fui para Porto Alegre, fiz mais uns exames e nesse meio tempo consegui uma consulta com a doutora Maira Caleffi (mastologista), com quem faço tratamento até hoje. Foi tudo muito rápido, dia primeiro de outubro eu fiz os exames e 10 de novembro eu já fiz a cirurgia. Foi tudo muito sofrido. Para começar os exames eu chorei muito e me perguntei por que isso estava acontecendo, por que câncer, por que comigo. Dia 30 de novembro fiz a primeira das oito sessões de quimioterapia, e a pior coisa  da “quimio” foi cair o cabelo, pois as pessoas se preocupam muito em contar as experiências dos outros. Eu já estava com a peruca comprada, mas estava naquela esperança de que o meu não iria cair. Após a segunda quimioterapia, em um dia quando fui secar o cabelo para ir a Porto Alegre, ele caiu. Foi então que resolvi cortar. As coisas foram passando e eu meio que perdi a noção do tempo. Um dia eu estava no Hospital Moinhos de Vento para uma consulta com a doutora Maira, quando passou uma senhora muito elegante e disse “Estou livre, passei por tudo, câncer é um ano”, eu escorada e com olhos fechados, abri e pensei “Meu Deus, faz dois meses, ainda faltam 10”. Em uma outra situação, ouvi uma menina dizer “Perdi um ano da minha vida e agora vivo um dia de cada vez”, foi aí que me convenci de que realmente o câncer era um ano. As pessoas pensam somente no cabelo, mas não é apenas o cabelo que cai, são as unhas, sobrancelhas, tudo.  Eu via pessoas passando por situações muito ruins durante a quimioterapia, mas eu, graças a Deus, sempre sai do hospital me sentindo bem. O pior de tudo para mim foi a auto estima. No fim, câncer vira a tua vida de cabeça para baixo, mas no fundo vale a pena. O câncer te deixa mais forte”.

 

Texto: Vanessa Puls

Fotos: Vanessa Puls e Arquivo Pessoal