O óbolo da Viúva

Meditamos o óbolo da viúva. O cenário é este: Jesus está no Templo de Jerusalém, centro religioso, político, econômico e ideológico da época. Ele se defronta com os doutores da Lei, os peritos nas Sagradas Escrituras, os especialistas do Direito. Pessoas que sabem burlar as leis em benefício próprio, explorando os que não tem amparo legal. Eles gostam de andar com roupas vistosas, ser cumprimentados nas praças públicas, sentar nas primeiras cadeiras nas sinagogas e ocupar os melhores lugares nos banquetes.
Ao invés, a viúva vestia-se como pobre, não era reconhecida nas praças senão por sua pobreza e abandono, não tinha cadeira cativa na sinagoga, nem era convidada aos banquetes e sobrevivia com muito pouco.
O mais grave de tudo isso é que, em nome da religião, os doutores da Lei exploravam as viúvas e os pobres. De fato, era tarefa deles servir de apoio legal às viúvas. O faziam exigindo um pagamento tal, que elas, muitas vezes, tinham que lhes ceder a propriedade.
Jesus está ali e observa como a multidão deposita suas moedas no cofre do templo. Um sacerdote de plantão acolhe estas ofertas e proclama a quantia que cada um deposita. Assim, o ego dos ricos atingia picos elevados de exaltação, sentindo-se privilegiados e amigos de Deus.
Jesus vê a viúva que dá duas pequenas moedas, chama os discípulos e diz: “Esta pobre viúva deu mais do que todos, pois eles deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que possuía para viver”.
Algumas lições de vida para nós:
– Quando damos alguma oferta precisamos dá-la de coração se queremos glorificar a Deus.
– Nossa oferta é santa e agradável a Deus quando o que damos é fruto do nosso trabalho e não da exploração.
– Dá muito quem ama muito e doa sem nada esperar em troca.
– Quem mais recebeu deveria doar mais, sem por isso se achar melhor e mais amigo de Deus.
– O gesto da viúva lembra a obrigação do dízimo. Somente devolve o dízimo quem reconhece ter recebido algo de alguém. Deus não quer o dizimo do dinheiro desonesto.
– Muitos não dão o dízimo porque acham que o que possuem é só resultado do seu trabalho. Mas, se não tivessem boa saúde e emprego, como teriam conseguido seus bens?
Somente entende o valor do dízimo quem fazer a experiência. Não prometemos milagres, riquezas e curas. Somente a paz e a alegria que vem de Deus.

Crônica publicada na edição do dia 5 de novembro de 2015.