Não Sou Charlie, Sou Amor

Além de “atoa”, eu fui ateu. Mais “atoa” do que ateu, confesso. Não sou mais… ateu. “Atoa” sim, às vezes.
Quando surgem esses conflitos ditos religiosos, me dá vontade de “largar Deus de mão” novamente. Daí me lembro que Ele não tem nada a ver com essa história. Isso é coisa dos auto intitulados Homo Sapiens. O mesmo ser capaz de maravilhas como viajar até a lua e ter uma tv a cabo com mais de 100 canais, incluindo alguns exclusivos de futebol, também pode matar supostamente em nome da fé.
Acredito que a única pessoa que tenho o poder de modificar é também a mais difícil: Eu mesmo.
Justamente por isso, tenho verdadeira aversão pela prática que algumas religiões tem de impor aos outros suas próprias crenças ou demonizar os que pensam de forma distinta da sua.
Não consigo compreender essas chamadas guerras santas.Quero dizer, consigo sim. Por que santidade é o que de menos há nesses conflitos. Mas pasmem, se vocês acham que isso é patente, marca registrada e exclusiva dos muçulmanos, estão redondamente enganados. A Igreja Católica catequizou os ameríndios e dizimou sua cultura. Perseguiu, matou e incinerou empunhando uma cruz durante a nefasta inquisição na Idade Média.
Quanto ao atentado ao Jornal Charlie Hebdo?
Na minha humilde opinião acho uma atrocidade, uma bestialidade.
Os pobres cartunistas entraram numa briga onde não há inocentes. É como tentar saber quem veio antes, o ovo ou a galinha. E eles tomaram partido de forma veemente, levantando a bandeira da liberdade de expressão, mas que pela maneira como o fazem, através de suas charges de humor ácido, pode ser confundida com discriminação, uma espécie de bullying contra um povo jamais aceito pelo mundo ocidental.
Isso justifica uma bomba assassina na redação do Jornal?
Óbvio que não.
Mas são muitos os interesses envolvidos nesta questão entre mundo ocidental e oriental: Disputa pela Terra Santa entre Israelenses e Palestinos, intolerância mútua acerca de cultura e costumes, negócios e lucros da indústria bélica e principalmente o Petróleo. É o que chamo de situação Iceberg: O que está à tona, a olhos vistos é apenas 10% do que realmente está submerso nas águas escuras e profundas da política, economia e “diplomacia” internacionais.
Aliás, nunca é tarde lembrar que:
Buda não era budista, pois ainda não havia o budismo;
Cristo não foi cristão, o cristianismo ainda não existia;
Maomé não era muçulmano, o Islã também não tinha surgido.
E o que esses mestres tinham em comum?
1- A partir deles surgiram as três maiores filosofias espirituais do Mundo.
Mas principalmente:
2- Seguiam e pregavam o amor, no seu mais amplo e profundo sentido.
Portanto, reitero e reforço aqui meu respeito a todos aqueles que optaram em seguir uma Doutrina ou Religião. Mas este ser humano imperfeito e pecador que vos fala aqui não se apega a dogmas e nem a igrejas, e não tem preferência por nenhuma delas. Mas para vocês que fizerem suas escolhas neste campo da vida, não briguem por suas diferenças. Concedo a vocês, sem cobrar nada, uma sugestão que li e concordo plenamente:
“A melhor religião é aquela que faz de você uma pessoa melhor!” Se eu fizesse minhas orações, vocês estariam todos incluidos nelas.
Obs.: Espero que em repúdio a esta crônica não joguem na minha casa um rojão daqueles que eu comprava no bar do Isaias quando era piá.