Não somos jucas

Essa é a típica situação onde eu adoraria estar errado e não ter agora que dizer “eu avisei” ou “eu já sabia”.
Mas que eu avisei, eu avisei.
Porém, não vou tripudiar sobre quem depositou suas esperanças sobre esses Sassás Mutemas, salvadores da pátria fajutos.
Pelo contrário, me solidarizo, visto junto o nariz vermelho de palhaço pois eu, embora anule meu voto há mais de 10 anos, também já acreditei, em outros tempos, que um partido fosse digno da minha confiança e diferente dos demais. Obviamente me decepcionei na época.
Mas vamos aos fatos:
O vazamento do áudio do senador Romeu Jucá, um dos principais artífices do impeachment no Congresso Nacional, e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado confirma o que infelizmente já era esperado por quem acompanha a política nacional há algum tempo.
Mas, prefiro iniciar por aquilo que o áudio não revela.
As gravações não revelam que o Partido dos Trabalhadores é inocente das acusações de corrupção a que vem sendo acusado e condenado. Pelo contrário, o PMDB foi escolhido pelo próprio PT para ser seu principal parceiro na composição de seus quatros mandatos. Jucá foi até mesmo ministro na era petista. Em miúdos, a sede por poder dos de Lula e seus correligionários que construiu essa aliança espúria que dilapidou ainda mais os cofres públicos.
Elas também não revelam que Dilma não cometeu “crime de responsabilidade” através das antes aceitáveis mas agora imperdoáveis e graves pedaladas fiscais.
O áudio também não isenta a presidente da péssima gestão na área econômica.
Porém, com toda a certeza, a conversa entre Jucá e Machado atesta que o impeachment, embora embasado juridicamente no fato concreto das pedaladas fiscais, teve na verdade caráter absolutamente político, e no pior sentido da palavra. A troca por Michel Temer teria como um dos principais objetivos, “estancar a sangria” das condenações e prisões da Operação Lava-Jato.
Em outras palavras, o governo foi derrubado, agora chega dessa conversa mole de moralização da política.
E no diálogo respingou sujeira em todo mundo. Sobrou para o presidente do senado Renan Calheiros, ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e até para o tucano presidenciável Aécio Neves.
Muitos concordam que Dilma e o PT cometeram inúmeros equívocos, mas que as pedaladas fiscais foram super valorizadas, somente um artifício técnico para justificar o impedimento.
Al Capone não foi preso pelos inúmeros assassinatos que cometeu, mas por sonegação fiscal. Mas ao contrário do caso mafioso norte americano, onde “os fins justificaram os meios”, com a divulgação desse áudio, as intenções que impulsionaram a derrubada da presidente ficaram, no mínimo, maculadas.
Mas Romero Jucá, se licenciou do cargo de Ministro do Planejamento e alega inocência e que não disse nada na conversa revelada que já não houvera dito aberta à colegas e imprensa.
Menos né Senador!
Embora pareçamos, não somos tão jucas, Jucá.