Mulheres gaúchas dialogando com Maria da Penha

Anelize Sampaio

Um momento inesquecível é ver a história viva de Maria da Penha, uma das principais ativistas na luta contra a violência doméstica. Ela esteve na última sexta-feira, em Porto Alegre dentro da programação da 4ª edição da Semana da Justiça pela Paz em Casa, que mobiliza a Justiça de todo o país. Foi realizado o Painel “Mulheres Gaúchas Dialogando com a Maria da Penha”, no auditório do Foro II da Comarca de Porto Alegre. A palestrante veio a convite do TJRS e da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa. Sob o tema, “Que a paz comece em casa e se estenda pelas ruas”, a campanha é uma realização do Poder Judiciário, organizada no Rio Grande do Sul pela Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça.
“A Lei Maria da Penha não pune os homens, mas protege as mulheres e pune os homens agressores. São aqueles que não sabem tratar suas mulheres com dignidade, amar e respeitar. Então, por isso que nós temos, homens e mulheres, unidos nessa luta. Porque nós, unidos, estamos pensando em evitar um futuro com violência para nossos filhos, nossos netos, nossos descendentes”, analisa Maria da Penha.Aos 71 anos, a cearense foi vítima de uma série de agressões do marido na década de 1980. Ela sofreu duas tentativas de homicídio e ficou paraplégica depois de ser baleada por ele. O mesmo homem era pai de suas três filhas. Logo, Maria da Penha começou a atuar em movimentos sociais contra violência e impunidade. Sua história virou símbolo da luta contra a violência doméstica e familiar e a Lei n° 11.340/2006, que impõe maior rigidez na punição de crimes cometidos contra as mulheres brasileiras foi batizada com o seu nome. Hoje ela é coordenadora de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV), no Ceará.
A farmacêutica Maria da Penha analisou as possibilidades de avanços em relação à proteção dos direitos das mulheres. “Para que a lei Maria da Penha funcione é preciso que ela saia do papel. E para isto, é preciso criar políticas públicas que a atendam, como centros de referência da mulher, as casas abrigos, delegacia da mulher e unidades de atendimento”, salienta. Na ocasião, a palestrante foi homenageada com a Medalha do Mérito Farroupilha, maior honraria do parlamento gaúcho. A Semana da Justiça pela Paz em Casa é uma mobilização nacional, proposta pela Ministra Cármen Lúcia, 2ª Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal.

12595947_982711035147310_942672185_n