Glênio Fagundes: “Mestre da Cultura Terrunha”

Em solenidade realizada em junho deste ano, Glênio Fagundes recebeu a Medalha Vargas Neto, outorgada pela Estância da Poesia Crioula, uma justa homenagem a este grande artista apaixonado pela música e pela cultura de sua terra. Músico, poeta, cantor e apresentador de rádio e televisão. É um dos ícones máximos do regionalismo rio-grandense, autor de livros e discos de sucesso, a exemplo de Cevando o mate e Telurismo com os Teatinos. Acompanhou o poeta Jayme Caetano Braun desde o início de sua carreira.
Já nos conhecíamos há bastante tempo, mas ele não tinha lá grande simpatia por mim nem pelo meu grupo.Pois, fomos na TVE gravar um Galpão Nativo(Santolin, Paulinho Campello, Rui Morselli e eu) vestindo bombachas de brim desbotado, alpargatas e camisetas coloridas, tocando músicas de Airton Pimentel em versões, digamos assim… “meio pop, meio rock”… Obvio que não impressionamos nem agradamos em nada, nada ao apresentador…
Nossa aproximação se deu um bom tempo depois, quando estivemos em Palmeira das Missões e voltamos juntos, de carona, com o então diretor da Faculdade de Música Palestrina José Roberto Diniz de Moraes. Viemos conversando durante toda a viagem. Naquele ano, eu cursava o pós em Folclore e ele adorou saber disso. A partir dali, passou a me orientar e informar sobre a nossa cultura, sempre que nos víamos.
Hoje, continuo entregando o meu maior respeito e admiração por ele – que nos últimos dez a doze anos em que comandou o Galpão Nativo junto com Malú Benitez e o nosso querido e não menos competente e brilhante roteirista e produtor J C Cardoso Goularte – sempre nos deu especial atenção, nos brindando com programas inteiros dedicados à cultura litorânea de influências afro-açorianas, enfatizando com veemência a importância dessas manifestações culturais diferenciadas e ainda vigentes no nosso folclore do litoral.
Nestes dias de comemorações Farroupilhas, meu homenageado é Glênio Fagundes, com esta pequena biografia que tem como fonte o seu próprio blog CulturaPampeana:
Brasileiro, filho de Albino Portela Fagundes e Amélia Cabral Portela Fagundes, sobrinho de Mario Portela Fagundes (Tenente Portela). Nascido no povoado de Cacequi, região mesopotâmica da pampa entre os rios: Ibicuí e Cacequi – Rio Grande do Sul. Casado com Maria Francisca Fagundes tendo seis filhos: Nicácio, Cassiana, Osíris, Terêncio, Horário e Juvêncio e avô de Bibiana de Moura Souza Fagundes e Johannes Souza Fagundes.
Com relação a sua trajetória musical, estudou harmonia com o Maestro Albuquerque no Instituto de Belas Artes da capital e foi diplomado em Violão Clássico pelo Maestro Isaías Savio. Estudioso da cultura guaranítica, escritor, arranjador, pesquisador da cultura pampeana, desenhista, pintor e o primeiro a confeccionar bombos “legueros” no Estado do Rio Grande do Sul. Junto com seu irmão Paulo Cabral Portela Fagundes (autor de Potro Sem Dono, entre outros) desde cedo, dedicaram-se pela herança cultural, as manifestações crioulas da “Pampa Terrunha”. Criador do conjunto “os Teatinos” em 1958, sempre cantando as músicas da Terra Nativa em seus usos, costumes e história; além de representar o Brasil. Atuou dez anos no “Palácio Piratini” com a seguinte formação: Glênio Cabral Portela Fagundes, Paulo Cabral Portela Fagundes, Jayme Caetano Braum, Marco Aurélio Campos e José Cláudio Machado. Nesta época gravou o “Telurismo I e II”.
Em 1959 foi um dos fundadores do Conjunto Internacional percorrendo a escala de vários instrumentos como: guitarra, harpa, gaita de botão, bombo “leguero”. Criador de um estilo de milonga pampeana, sendo muito solicitado para acompanhar pajadores, declamadores, nomes nacionais e internacionais. Representante da Cultura Pampeana, “Mestre da Cultura Terrunha”, indicado pelo governo do Rio Grande do Sul, para representar o Estado no Encontro Mundial de “Mestres da Cultura”. Autor do Livro “Cevando o Mate” obra de referência sobre o chimarrão. Atuou como apresentador e produtor nas rádios: Guaíba durante três anos, Farroupilha outros dois anos, Gaúcha mais de nove anos e na rádio FM Cultura com dois programas – Pátria Y Querência e América Nativa nacional com a rádio de Santa Maria por mais de dez anos. Membro da Estância da Poesia Crioula, palestrante, jurado dos Festivais Nativistas. Na TVE apresentou o programa Cultural “Galpão Nativo”, o mais antigo do Estado com quase quarenta anos no ar, este programa recebeu o Prêmio Guararapes instituído pela Academia Brasileira de Letras como o melhor programa Cultural brasileiro. Bem como apresentador de vários festivais pela TVE -apresentando TVE nos festivais. Recebeu em 2009 da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, a medalha “Mérito Farroupilha”. Em 2010 recebeu o prêmio de representante da cultura de Porto Alegre da Prefeitura de Porto Alegre. Em 2010 foi o Patrono do Acampamento Farroupilha. Tendo inúmeros reconhecimentos na forma de troféus e diplomas.

 

Glenio Fagundes