Faz frio. Leonel caminha pela cidade. O vento é cortante. Passa pela sua jaqueta,

A gente pode até não dizer nada; não se manifestar e viver como a maioria das pessoas, mas no âmago da nossa consciência lógica há milhares de perguntas não respondidas. O desenvolvimento intelectual do ser humano resulta desse impulso, de um querer saber. Historicamente, começamos como filósofos, então apenas simples questionadores, e pegamos o caminho de todas as ciências em busca de respostas. Por que isso, por que aquilo. Com as respostas, construímos as nossas cidades, a nossa tecnologia. Hoje, sabemos milhares de coisas, temos respostas para muitas questões e pretendemos invadir o cosmos para saber o que ainda restar de conhecimento; e sempre irá restar.
Tivemos um grande desenvolvimento material, demos um salto de qualidade de vida, e nossas máquinas produzem alimento em abundância, que sobra nas prateleiras dos supermercados. Hoje, podemos cruzar grandes regiões do planeta em algumas horas, fizemos curas milagrosas, e temos o poder da ubiquidade, da onipresença. Basta ligar um computador e um celular e ver a mesma pessoa presente em quase todos os lugares do planeta. Entretanto, há uma questão, talvez a mais importante delas, que permanece sem resposta. E parece uma questão muito simples. Mesmo assim, continua um problema sem solução. Por quê?
A verdade é que o ser humano obteve um grande desenvolvimento material; como pretendia os ideais comunistas. Hoje sobra tempo para a ociosidade, pois uma máquina pode substituir muitos trabalhadores. Alguns tratores podem cultivar milhares de hectares; alimento é transportado por enormes navios para diversas regiões do planeta. Fabricam-se milhares de carros por minutos, milhares de produtos tecnológicos e podemos construir os mais incríveis edifícios, nos mais insólitos lugares. Podemos cultivar quase tudo, mesmo em regiões áridas do planeta. Em poucos milênios, o homem saiu das cavernas e planeja viajar a marte. A medicina deu um enorme salto de vantagens. Enfim, desenvolvimento material nós tivemos, e muito.
Entretanto, a questão mais simples, embora a de maior importância, continua sem solução. O leitor poderá achar, e certamente estará certo, que não conseguimos ainda resolver o problema da fome de milhares de pessoas neste planeta e a questão pendente é entender por que milhares de crianças ainda passam fome se o dinheiro sobra para tantas pessoas? De fato, essa é uma grande questão. Não há explicação lógica para justificar a morte de crianças por falta de alimentos, se alguns têm riqueza em excesso.
Mas a questão ainda não é essa. Ela está antes disso; a questão é explicar a nossa condição; entender por que nós somos assim. Por que tantas pessoas neste planeta, e no nosso país, ainda vão dormir com fome? Por que não conseguimos resolver problemas tão elementares como a fome de crianças? O que gera em nós essa tão absurda incapacidade social? Apenas uma pessoa física pode comprar uma obra de arte por milhões de dólares (põe riqueza nisso!), enquanto falta um simples de pedaço de pão para uma criança, que vai dormir com fome. Como entender a nós mesmos e justificar essa absurda conduta para um ser que se considera mais inteligente do que os outros animais?