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Cultura
Uma Semana de Luz para a vida da cidade
23/09/2009

Nos dias 24 a 29 de novembro, deste ano de 2009, o osoriense terá como centro das atenções, a 24ª Feira do Livro, já histórica na cidade. Uma semana inteira manifestada no dom da palavra escrita,iluminando a mente humana, penetrando no pensamento, na imaginação, na inteligência e no coração de cada pessoa. 

A leitura é um testemunho oral da palavra escrita e tem como um dos principais símbolos, o livro.   Essa luz que invade a cidade, torna a sua população mais iluminada e mais enriquecida.  Ler é um movimento de interação  das pessoas com o mundo e delas entre si, possibilitando uma percepção mais clara do mundo. Como diz Paulo Freire “ A leitura do mundo precede a leitura da palavra. Ela é um dos elementos básicos para a formação plena da cidadania,proporcionando capacidade de interpretação.  Muita gente iniciou uma nova era na sua vida, a partir da leitura de um livro.

Como sabemos, a necessidade de registrar a fala, sempre esteve presente na história da humanidade. Os povos antigos, como os Assirios e Sumérios, a milênios A.C. já desenvolviam a arte da escrita com traços, para anotar a fala em pedras ou em plaquetas de argila. Depois veio o papiro no Egito, com uma planta do Rio Nilo, seguido do Pergaminho em couro e vegetal, até chegar à descoberta do papel pelos chineses, condição básica para a invenção da imprensa no raiar do século XVI com Gutemberg, surpreendendo o mundo usando chumbo com letras em relevo. E a palavra escrita, através dos tempos foi tomando forma expressiva até o surgimento do livro e das mais variadas formas de expressão escrita.

Mesmo com todos os avanços tecnológicos de hoje, como a informática e a internet, o livro jamais será suplantado. Bill Gates um dos mais entendidos em informática diz:

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever, inclusive sua própria história.”

Pois bem. Em fins de abril deste ano fui surpreendida com um telefonema da nossa dinâmica e tão competente Secretária da Cultura, Tâmara Carniel, dizendo da indicação do meu nome para ser a Patrona da Feira do Livro 2009.  Naquele momento fui tomada por um susto, pois jamais imaginaria tal indicação. Procurei conversar com algumas pessoas muito especiais para mim, para a vida da cidade e para a própria Feira, que me estimularam a aceitar, como também muitos telefonemas de apoio.

Desde criança sempre fui uma apaixonada pela Educação, em ser professora, como também pelas artes e desenho, pela literatura, pela leitura e escrita, pela poesia e pela história. Igualmente na área da Comunicação e Publicações, dirigindo Revistas, onde tenho publicado meus escritos e meus poemas, entre elas o ENGAJAMENTO e o AL EDUCADOR, das Equipes Docentes com colaboração especial, de Enio Manica de P. Alegre E a Revista PROSPECTIVA de Orientação Educacional, publicada pela AOERGS, Associação dos Orientadores Educacionais do Rio Grande do Sul.  Na Equipe Editorial, teve participação ativa  Suely  Braga, como eu, apaixonada pela palavra escrita. Com Suely, também líamos livros, transformando-os em peça de teatro e a levávamos ao palco, com os alunos.

Frente a isso assumi ser Patrona, com o compromisso de participar da preparação da Feira, dando um pouco dessa minha vivência, contribuindo para um despertar mais profundo da importância do ler, na vida da cidade, em especial, as crianças e os jovens,  como sujeitos da história. Tenho participado das Reuniões de preparação da Feira. Já estive na FACOS, dialogando com os (as) estudantes de Pedagogia e de Letras. Participei de reunião na Biblioteca Pública. Agora em setembro, estou visitando as Escolas Municipais de Osório. Tem sido muito prazeroso conversar com as crianças, vivenciando com elas, toda a riqueza e criatividade de forma tão espontânea e bela. É realmente um verdadeiro amanhecer de esperanças, pelas atividades que realizam na Escola nessa área, desde o teatro, leitura, poesia, Hora do Conto na Biblioteca e criação de lindas historinhas.  (pretendo em breve contar os momentos belíssimos vivenciados com as crianças)

 Sabemos que o estímulo à leitura e a criatividade, deve começar na infância, seja na família ou na Escola, para que a criança, mesmo antes de saber ler possa se  sentir familiarizada com os livros e com a leitura descobrindo e interpretando a história através das gravuras e dos desenhos, despertando para o gosto de ler. 

Tenho uma sobrinha de nome Leonor Gamba Correia que sempre trabalhou na Escola alfabetizando crianças. Foi uma ótima alfabetizadora. Hoje está aposentada e desenvolve com os netos um belíssimo trabalho de brincar com livros e com a leitura, desde muito cedo, ainda bebe, despertando neles a capacidade de interpretar os desenhos e as gravuras dos livros e nesse processo começar a ler alfabetizando-se e descobrindo o prazer da leitura. Alguns livros que utiliza: Brinquedos ( André Neves) Cobra Cega (Avelino Guedes) Era uma vez uma Bruxa ( Lia Zatz)  Você Troca? ( Eva Furnari)  e outros...

  Durante a leitura descobrimos um mundo novo, cheio de coisas desconhecidas. Ela nos ajuda a entender melhor o conhecido, a desvendar o desconhecido, a elucidar o obscuro. Ajuda a conquistar e viver a liberdade e libertar-se da miséria intelectual e social. Infelizmente ainda temos muita gente que não sabe ler. Toda leitura deve ser compartilhada, contada aos outros, assim como todos os dons e riquezas que temos, pois tudo que é compartilhado se multiplica e enriquece.

 O osoriense tem dentro de si o valor da cultura em todas as áreas. Sua origem histórica é muito rica, um verdadeiro liquidificador de culturas, a partir dos povos originários e dos açorianos, embora ainda bastante dispersa,  individualizada e desconhecida de muitos.

Fiquei contente de constatar que alguns livros dos nossos escritores locais, estão penetrando nas Escolas que estou visitando, entre eles: Os Últimos Acordes de um Concerto, de Suely Braga. Retalhos da Bíblia em Versos, de Maria Cândida de O. Pinto. E do nosso jovem poeta Anderson Costa, Invenções do Infantiletrando.

 O Ministério da Cultura já estabeleceu leis sobre Biblioteca e incentivo à leitura no horário escolar: “ Nenhuma Escola sem Biblioteca, prática da leitura e da poesia na sala de aula, em horário escolar.”

A prática da poesia em sala de aula,  provoca no aluno as emoções e o prazer pela leitura, ajuda no domínio linguístico, no desenvolvimento da sensibilidade e criticidade.

Vários autores de livros enfocam de modo especial, a importância da poesia e da leitura. Entre eles, do meu conhecimento:

A Importância do ato de Ler   (Paulo Freire) Alfabetização e Leitura (José Juvêncio Barbosa) 

Leitura em Crise na Escola.  Poesia na Sala de Aula. (Regina Zilberman)

A Pedagogia crítico- social dos conteúdos (Carlos Libanio)  Leitura na Escola e na Biblioteca (Ezequiel Teodoro)   Texto na Sala de Aula. Leitura e Produção (João Wanderley).

Desde criança sempre tive incentivo à leitura, à escrita e às artes. Aos 8 anos de idade li meu 1° livro. “ Robinson Crusoé,” em italiano, que me foi dado pelo Nono Carlo Berzagui, imigrante italiano, como meus pais. Aos 9 anos vim para Osório estudar no General Osório. Eu morava com meu irmão. Ao encontrar a Biblioteca da Escola, me tornei uma leitora permanente, lendo todos os livros rapidamente. Certa vez procurando um livro para ler, não encontrava e escutei a Diretora, Clotilde Amaral,dizer: Temos que comprar mais livros, Tereza já leu todos. Eu sempre contava aos outros  o que eu lia dos livros que trazia da Escola. Um amigo de meu irmão, sempre me pedia para contar-lhe o que eu estava lendo. Não imaginava ele, a importância que esta prática representava para a minha vida, pois são muitas as pessoas, até com curso superior, que não conseguem escrever  e dizer aos demais o que leu.

No General Osório também vivenciei muito o teatro, tendo como parceiro Zeno Stenzel, o nosso Dr. Zeno. Como me tornei professora em seguida , aos treze anos, colocava em prática toda riqueza vivida, no então curso primário, inclusive na alfabetização. Entre os alunos alfabetizados, Dario Bestteti, que foi diretor da Escola Industrial de Osório.

Sempre procurei desenvolver a prática da leitura em sala de aula, com livros escolhidos pelos alunos, através da leitura participativa e interpretada por eles. Fazem alguns dias, me encontrei na rua, com Matuzalem Cardoso, um dos nossos dentistas, em Osório, que foi meu aluno no Colégio Santa Terezinha, em  Santo Antonio da Patrulha. Ele vivenciou esta experiência e ainda lembra os livros lidos, entre eles, “Alpinista,” valorizando esta experiência na sua vida. Foi gratificante ouvir isto dele, depois de tantos anos.

Outra experiência que vivenciei com os alunos, tanto nas aulas de História como na Orientação Educacional, foi escrever um livro, tendo como titulo: “ Sou sujeito da história.” O 1° capítulo, do roteiro estabelecido pelos próprios alunos, era escrever sobre “O dia do seu nascimento, data mais importante de sua vida.”  O resultado foi extraordinário! Daria um livro, só sobre esse 1° capítulo.

Entre os alunos da Escola Rural, que vivenciaram este trabalho, foi Romildinho, nosso atual Prefeito –Romildo Bolzan Junior.

Outras experiências  foi nas aulas de desenho, despertando os alunos para a sensibilidade, para a solidariedade e compromisso mútuo, através das cores no desenho e também utilizando um vídeo. A Guerra das Cores, sem nenhuma voz e nenhuma pessoa. O que se via no vídeo era uma grande movimentação de todas as cores do mundo, brigando. Aos poucos, as cores começavam a fazer as pazes, umas ajudando as outras, transformando-se em outras cores sem perder a sua cor.  Finalmente o que se vê no vídeo: Um belíssimo Arco Iris, de apenas 7 cores com todas as cores do mundo. A reflexão com os alunos, foi de que é possível, conviver com o diferente, ajudando-se mutuamente sem perder a sua originalidade, podendo construir um mundo mais belo.

Enfim, é de suma importância desenvolver em nós, na Escola e em toda parte, uma “cultura de leitura,” pois só assim, seremos aprendizes e formadores de opinião em todos os movimentos sociais e democráticos que estivermos.

Em alguns países, da América Latina, como em Lima, no Peru, na Colômbia, Uruguai, realizam  pequenas Feiras do Livro, 2 a 3 vezes ao ano, em diferentes pontos da cidade, com leitura orientada.

Como sabemos, uma Feira do Livro,  está acima do objetivo de apenas vender livros. Dizia em uma das nossas reuniões de preparação da Feira, Ronaldo Teixeira, da Livraria Bambi que a participação de sua Livraria na Feira, nunca teve como principal objetivo vender os livros e sim o despertar da importância da leitura para a população.

Termino reafirmando, que uma Feira do livro, durante uma semana inteira, exposta no coração de uma cidade só pode ser Luz,  iluminando e enriquecendo toda a cidade -  Osório e seus habitantes, contribuindo na construção de “um outro mundo possível.”


 
Fonte: Tereza Gamba
 
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