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Crônica Esportiva
Zé do Efeito
21/07/2010

Todos nós já ouvimos histórias fantásticas de futebol, como a do jogador que driblou todo o time adversário e fez o gol de bunda. Do goleiro que defendeu um pênalti com um braço na tipóia. Do massagista chamado para atender um jogador e não tendo nada para usar na lesão, resolveu fazer xixi no machucado.

Uma das histórias mais contadas é a do Zé-do-Efeito. Mas com tantas versões, que nunca fiquei sabendo qual era a verdadeira.

Ao que parece, a mais correta, era mais ou menos assim. Zé-do-Efeito jogava num time de Sapiranga, onde fez a fama e acabou sendo contratado pelo próprio Sapiranga F.C. O homem não era nenhum craque, mas tinha um segredo guardado a sete chaves: ninguém conseguia bater na bola com tanto efeito. Batia de esquerda, com pezinho 36, chuteira de criança, mas com a maestria de um taco de bilhar. Quando batia na bola, era efeito contrário, efeito curva aberta, efeito curva fechada, efeito a favor, efeito malicioso, efeito do Diabo, efeito desconcertante, efeito brochante, efeito tomara-que-cai.

Uma tarde, jogo decisivo contra o Sapucaia, o rival ferrenho do Sapiranga, jogo empatado e o juiz apita pênalti para o time do Zé-do-Efeito.

Quem vai cobrar? O cobrador oficial do time amarelou e saiu defininho, nervoso com o calção borrado. Se perdesse o pênalti, o Sapiranga perderia o título com certeza, além do que, o batedor perderia o emprego. Além de que provavelmente seria agredido pela torcida.

Na beira do campo, a torcida sugeria aos gritos: "Zé-do-Efeito", Zé-do-Efeito"!

O capitão do time chamou o treinador e lhe cochichou que, na opinião dele, Zé-do-Efeito não era o indicado, pois chutava só de efeito e fraco demais.

Quem deveria cobrar era o Carruíra que tinha um canhão no pé direito. Mas Zé-do-Efeito, amparado pelo grito da torcida, já estava lá, na marca do pênalti, ajeitando a bola.

Silêncio no estádio, no apito do juiz, Zé-do-Efeito chuta e tal como o capitão previra, sai-lhe do pé um traque, um peteleco que o goleiro encaixa sem o menor esforço.

A torcida do Sapiranga urra de ódio, os companheiros partem para esganar Zé-do-Efeito.

Nisso, o goleiro do Sapucaia, dá dois passos para recolocar a bola em jogo. Nem chegou a concluir o lance, porque ao quicar a bola, esta possuída de um estranho efeito, fugiu-lhe do controle e rolou toda sinuosa para dentro das redes: gol do Sapiranga.

Zé-do-Efeito criara outro efeito: o da ação retardada.

 
Fonte: Ademir Brum
 
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