Durante a maior parte da nossa história, o transporte de pessoas e mercadorias era feito pela praia, em carretas puxadas a bois. Não existiam estradas. A da Laguna, cujo resquício ainda permanece, foi se formando aos poucos. Moradores do litoral norte, de Tramandai a Torres, faziam comércio e comunicação com a cidade Laguna, em Santa Catarina, onde iam vender seus produtos, principalmente animais e derivados, e onde também iam cumprir suas obrigações religiosas, casamentos e batizados. A primeira igreja de Torres é de 1824. A primeira no litoral norte, de Osório, de 1790. Os viajantes pagavam pedágio para cruzar os rios Tramandai, Mampituba e o Araranguá, nos quais havia guardas e canoas, mas não havia balsas e, naturalmente, nenhuma ponte. O pagamento era feito durante a passagem no Tramandai, onde o governo fiscalizava a passagem e o pagamento dos impostos sobre os produtos transportados. Cada carreta pagava um mil e oitocentos réis, para ida e volta, e pessoas pagavam cento e vinte réis por uma passagem. A travessia, feita nas barras dos rios, era uma proeza, difícil, às vezes impossível, em tempos de enchentes e penosa mesmo em tempo de seca. Desembarcavam-se as mercadorias e os bois tinham que nadar, puxando as carretas, que boiavam e eram conduzida por um bom nadador. Não raro, os animais fracassavam e iam rio abaixo. As mercadorias e pessoas cruzavam em canoas. Nessas viagens, levavam uma tropa de bois de reservas, além de ferramentas para reparos; as carretas eram puxadas por até seis juntas de bois e chegavam a levar até trezentas arrobas de mercadoria. As viagens duravam dias, e à noite, era preciso manter fogo aceso e vigilância, não para ladrões humanos (que ainda eram poucos), mas para as onças, ávidas por furtar um pouco do charque, pronto, ou por fazer...