Ex-PM acusado de matar boxeador tem prisão preventiva após defesa anunciar que deixaria júri

Após oito anos de espera, o júri do ex-policial militar Alexandre Camargo Abe que é réu no processo da morte do boxeador Tairone da Silva, foi cancelado na tarde da última terça-feira (02), no fórum de Osório.  O crime ocorreu em março de 2011.

O júri iniciou por volta das 09:30h da manhã e teve o depoimento de testemunhas transcorrendo normalmente. Após o almoço, os advogados de defesa de Alexandre Abel desistiram do andamento do tribunal do júri ao alegar que estavam se sentindo ameaçados e por falta de segurança.

 Juíza Anna Alice da Rosa Shuh reiterou que planejou com antecedência toda a segurança do local e arredores com policiais treinados e armados. Após a negativa, dispensou os juris e familiares do plenário e convocou uma reunião no plenário para decisões e andamentos legais, decretando a prisão preventiva de Alexandre Camargo Abe. Anna Alice impôs aos advogados uma multa de 50 salários mínimos, conforme é previsto no artigo 265 do Código de Processo Penal.

Parte das tesmunhas foram ouvidas no período da manhã

Em seguida, a palavra foi passada ao Ministério Público. O promotor de Justiça Criminal de Osório, Fernando Andrade Alves, lamentou a posição dos advogados e pediu a prisão preventiva do ex-PM. A juíza aceitou o pedido do MP e ordenou que Alexandre Abe tivesse prisão preventiva.

Família espera por justiça

Sobre a motivação do crime, é apurado que o réu estaria sendo provocado por Tairone após várias advertências em relação a condutas inadequadas durante abordagens e, por isso, teria agido em legítima defesa. Por outro lado, pessoas próximas à vítima afirmaram à polícia que o ex-PM tinha uma rixa com o boxeador por motivos pessoais, que estariam ligados ao sucesso do jovem – promessa do esporte que já havia sido campeão brasileiro e sul-americano. O caso é tratado como homicídio qualificado.