Escola Tuiuti vence prêmio e diretora destaca a importância de “Ir além dos muros da escola”

Na noite de sexta-feira, dia 11, no estúdio principal da RBS TV, em Porto Alegre, aconteceu a solenidade de entrega do Prêmio RBS de Educação – Para Entender o Mundo, que esta em sua quarta edição, da qual três escolas do Rio Grande do Sul foram agraciadas.
Uma das escolas premiadas foi a EMEF Tuiuti, localizada no Arroio das Pedras, em Osório, com o projeto de Henrique Silveira Leal “Ler, pensar e representar: o teatro na escola”. A diretora da escola, Lourdes Helena Gularte, e o professor Henrique Silveira Leal, licenciado em teatro pela UERGS e oficineiro pelo projeto mais educação, visitaram a redação do Jornal Bons Ventos para contar como foi participar e, pela primeira vez, ganhar o prêmio da RBS.

Como funciona e qual o objetivo do projeto “Ler, pensar e representar: o teatro na escola”?

“O projeto é do turno integral da Escola Tuiuti. No início do ano, assim que entrei na sala, com as turmas de quarto e quinto ano, comecei a observar que os alunos não tinham conhecimento de literatura e demais peças de teatro. No ensino do teatro as pessoas tem a ideia equivocada de que é apenas subir ao palco e representar, mas não é apenas isso. É, também, parte do processo, mas no mais é ter conhecimento da linguagem, e este conhecimento passa pelo conhecimento dos textos. E então, visto que eles não tinham o conhecimento das peças, propus leituras sobre elas. Vendo e analisando como se organiza um texto de teatro, como é a sua estrutura, é diferente de um texto de literatura comum. Propus fazer eles terem conhecimento de que existe esse outro universo da literatura. E assim foi, comecei a trazer um pouco do que eu tinha em casa, fizemos um levantamento do acervo da biblioteca da escola, que para minha surpresa tinha muitos textos. Inicialmente, achei que eles escolheriam uma peça de literatura infanto juvenil para representar e eles escolheram Shakespeare – Romeu e Julieta.” conta Henrique.

Como foi a preparação durante a votação, como a escola se mobilizou entre alunos, pais e professores?

“Nós criamos uma rede. Em todos os lugares em que íamos tinha a hashtag #votatuiuti e isso viralizou nas redes sociais. Todos acabavam usando. Nós mobilizávamos os alunos e eles mobilizavam os pais, enquanto nós atuávamos em nossas redes sociais e nossos amigos acabavam formando outra rede” esclarece Lourdes.
“Alunos de outras áreas do conhecimento que não participam do projeto também se empenharam, a comunidade do Arroio das Pedras esteve muito presente e a gente diz que foi a comunidade do Litoral Norte, pois esta campanha se estendeu por todo o Litoral. Isso é muito bacana, pois pensamos “A nossa escola não tem 200 alunos, é uma escola da área rural, afastada do centro de Osório, uma escola pequena, nossos alunos não tem muito acesso a internet como o aluno da cidade tem. Então precisamos fazer uma campanha forte” pensamos desde o princípio. Já que nos tornamos finalistas e foram mais de 200 projetos de educadores e estudantes de todo Rio Grande do Sul resolvemos fazer esta campanha forte, usar as redes sociais e a tecnologia para trazer as pessoas e para que elas soubessem o que estava acontecendo na escola” explica Henrique.

Como educadores, como definem a importância deste prêmio para a escola?

“Como educadora e gestora, acredito que um prêmio desses vem para alavancar todo um trabalho que é feito, pois não é um prêmio que dá dinheiro, mas que faz com que as crianças tenham outra visão do fazer educação e do estar sendo aluno. É a valorização dele enquanto aluno, enquanto leitor, enquanto alguém que se empenha para fazer um projeto, neste caso o teatro em turno integral. Tudo isso deu uma visibilidade muito grande para a escola. A escola como um todo, os pais e a comunidade se sentem valorizados, pois o Estado inteiro está falando da Tuiuti, que até pouco tempo era apenas a Tuiuti, escola municipal do interior de Osório. Hoje são muitas as pessoas e Universidades questionando e querendo conhecer a nossa escola. Isso faz um diferencial muito grande e vem para premiar o trabalho feito em sala de aula. É um troféu para escola, mas que traz um significado e uma simbologia que vai marcar pra sempre aquelas crianças. Nosso papel enquanto educadores é dar aos alunos o brilho nos olhos e a vontade de continuar, não somente no teatro, mas numa vida ativa de educação, de leitura, de vivências e pesquisas. Ir além dos muros da escola” diz a Diretora.
“A capacidade de entendimento de mundo maior. Sempre foi meu objetivo fazer com que os alunos que estavam realizando o projeto se tornassem protagonistas de suas ações, tanto em cena, como também na construção do conhecimento que eles estavam produzindo. Pois isso vai oportunizar que eles cresçam e que se tornem pessoas ativas em nossa sociedade, assim como a Lourdes citou” fala Henrique.

Pretendem participar de próximas edições do prêmio?

“Se surgirem outras oportunidades, sim. Talvez na quinta edição do Prêmio RBS ou outros projetos. Mas é como eu digo, nunca é pretensão nossa ganhar as coisas, mas desenvolver ações de cunho educativo, no meu caso educativo e artístico, que façam com que os alunos cresçam enquanto sujeitos em sua produção de conhecimento” finaliza o professor de teatro, Henrique Leal.

Texto: Vanessa Puls

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Lourdes Helena e Henrique Leal/ Foto: Antão Sampaio