E as Olimpíadas estão chegando

Faltam menos de 10 dias para o início das Olimpíadas no Brasil. O maior evento esportivo do mundo será realizado pela primeira vez aqui na América do Sul, num país de 3º mundo e com uma fama internacional não muito boa em relação à sua economia, sua política, sua organização. Um país com uma grande desconfiança. Todos estrangeiros acham que nesta selva (sim, muita gente acha que vivemos no meio de macacos e jacarés), a Olimpíada será um fracasso. A imprensa internacional desde 2009, quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede dos Jogos, está criticando e duvidando da capacidade do país em sediá-los. E quem não está?
Não vejo nem a nossa imprensa, nem os brasileiros em geral, achando que as Olimpíadas daqui serão melhores que em Londres-2012 ou Sidney-2000 (que foi uma das mais organizadas). Na verdade, pode ser que seja uma das piores. Vamos aos fatos:
A Vila Olímpica foi aberta aos atletas neste domingo e apresentava algumas falhas na sua estrutura. Até aí tudo bem, pois a maioria das “Vilas” apresentam alguma desconformidade para os atletas logo na sua chegada. Camas menores do que os atletas ou pequenas falhas nos ar-condicionados, já foram algumas reclamações de atletas em outras edições. Mas fios elétricos expostos, alagamentos, rebocos quebrados e escadas dentro dos quartos, entre outros pequenos, mas importantes, defeitos, foram constatados pela delegação da Austrália, por exemplo. Os australianos decidiram se hospedar em um hotel, até que os quartos fiquem prontos de verdade. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, veio logo a público e disse que tudo se resolverá em poucos dias. Até aí tudo bem, mas ao completar a frase, ele jogou a elegância no chão e tentou fazer uma piadinha para tirar aquele clima de constrangimento que os australianos haviam causado a ele: “Eu estou quase botando um canguru na frente do prédio para ficar pulando e eles se sentirem em casa”. Bah… Que comentário foi esse? Até eu fiquei constrangido. O prefeito foi brincar e acabou piorando a situação. Fez a piada e ficou com cara de palhaço. Os australianos logo devolveram: “Não queremos canguru, queremos encanadores”.
Já os italianos decidiram consertar eles mesmos. A delegação faz algumas reformas (não os atletas, claro), e o resto fica por conta dos funcionários contratados por eles para arrumarem o que falta. Esse não seria o jeito correto, mas a desconfiança é tanta que decidiram fazer por si próprios.
Mais delegações estão chegando e mais reclamações devem vir por aí. Eu mesmo, estive no Rio de Janeiro há um mês atrás e vi com os meus olhos que a cidade toda está sofrendo reparos. Muito canteiro de obra e o trânsito, um caos. Dinheiro parece que não faltou, já que foram investidos cerca de 40 bilhões de reais. Claro que sabemos que nem tudo foi investido nas Olimpíadas. Tem as construções na cidade, que ficarão como legado para a comunidade, e aquele dinheiro que se “perde” pelo caminho (porém sempre tem aqueles que o acham). É tanta grana que ninguém vai notar 1 “milhãozinho” perdido ali, mais uns 2 aqui e assim “substantivamente”.
Os Jogos Olímpicos são muito grandes para o amadorismo que o governo está apresentando. Claro que, quando os Jogos começam, tudo se esquece, e a organização faz de tudo para que não se descubram mais erros, a fim de não “pagar mais mico”. Quem é esportista, vive do esporte ou é simplesmente um admirador, está ansioso pelo início das Olimpíadas. Já que o país será a sede, o dinheiro já foi destinado e investido (e agora não tem mais volta), o negócio é aproveitar e curtir muito esse grandioso evento. Mas, para quem não é tão ligado assim em esportes, o pensamento é diferente. O dinheiro investido poderia ter sido usado em tantas outras coisas mais importantes do que essas mega construções (que podem deixar de serem usadas em pouco tempo), como na saúde, segurança, entre outros.
Bom, agora só nos resta ver como tudo vai transcorrer. Boa sorte aos atletas brasileiros nas Olimpíadas e Paraolimpíadas! E que venham muitas medalhas para amenizar os problemas.