E agora

Nos últimos anos, antes de me aposentar, eu sentia um grande contentamento quando chegava o fim de semana, as férias, ou tinha um feriado, em que poderia ficar a sós com a Maria Inez. Embora adorasse minha profissão, não podia negar… Estava cansada. Precisava de um tempo… Precisava de mim! Precisava apaixonar-me por mim mesma novamente. Ficar mais comigo, cuidar mais de mim, me curtir, ouvir minhas músicas, ler… Escrever então nem se fala. Aposentei-me! -E agora? Só me aposentei do trabalho. Da vida? Jamais… “Daqui até a eternidade”… É claro que tem dias, até fases que bate aquela saudade, principalmente dos meus amados e eternos alunos, que me fizeram tão feliz. Surge às vezes até uma sensação de inutilidade, quando na marra, e sou marrenta por natureza tenho que fazer as pazes comigo mesma. Mas passa… E como passa! É uma plena sensação de liberdade que só havia sentido até os dezoito anos de idade. Depois era o relógio que controlava a minha vida. Agora me “aquietei”, me “agitei”, me “agigantei” novamente. Fui atrás de amigos perdidos no tempo e no espaço, na correria do dia a dia. Uns eu reencontrei, outros perdi, ou perdi de vista… Mas continuo a procura, a reconquista. Foi quando me aquietei que resgatei muitos valores espirituais. Embora perua assumida, nunca fui muito ligada a valores materiais, e para ser sincera não admiro nada, nada quem os tem de uma maneira exibicionista, pobreza explícita para mim está aí. Já ganhei de mão beijada, já perdi, já ganhei novamente, e assim vai… Assim é a vida. Só não posso perder minha paz interior e minha humildade, e por essas riquezas eu sempre lutei e luto que nem uma leoa. Não tenho tantos amigos hoje, mas reencontrei a melhor para mim: – Eu mesma! Posso me olhar “com muito orgulho no espelho”, e dizer… “Amigas para sempre”.