Diva

Há muitos anos atrás fiz um verdadeiro tur por médicos “istas”: Cardiologista, neurologista, analista, psicanalista… Ninguém descobria o que eu tinha. Até que um dia me levaram para Porto Alegre, em busca de mais “recursos”. Ninguém aguentava mais tanta taquicardia, tanto baixo astral, tanto choro, nem eu me aguentava. Chegando ao famoso, renomado médico, ele deu o diagnóstico “só em me olhar”: Alternância de humor, ali decretou que eu era Bipolar. Medicou para manter meu humor estável. De certa forma ele acertou, meu humor se manteve estável por vários dias… Uma verdadeira pateta, pamonha, encorujada, fria. Minha Cabeça Ventana pensava… Se o nome da doença odiava quando ele falava transtorno, era cientificamente chamada de Bipolar, estava eu literalmente numa fria, estava estagnada num dos pólos. Já me imaginava escabelada, numa camisa de força: -Cuidado! As palavras chegam com uma força, um poder a uma pessoa transtornada. E nada de Diva (minha cúmplice) vir, já não suportava mais aquela pré-falecida dentro de mim. Parei de tomar aquele veneno… Diva estava morrendo, ela relutou em vir, mas veio quando menos esperava. Diva voltou com tudo e me possuiu novamente em plena consulta. O médico creio eu, cheio de boas intenções e expectativa de me tirar daquele marasmo pegou uma folha em branco e começou a escrever em letras garrafais. Segurou a folha contra o peito e disse: -O que tu tem que fazer é isso: SORRIR! Meu Deus! Silêncio constrangedor. Algo foi acionado no meu cérebro; hoje rio muito da minha reação. Eu sofrendo que nem um bicho selvagem ferido e ele pedindo para rir. Era tudo que eu queria, estava ali para ele me ajudar a voltar a sorrir. Sei que ele tentou, mas não sabia de nada, porque para começar não era, e não sou Bipolar… Multipolar talvez. Mas lidar com Diva realmente não é fácil, tu nunca sabe o que vem. Talvez seja a criação que eu tive, claro que com as melhores intenções de pais extremamente amorosos: -Não responda para ninguém mesmo que te ofendam, não brigue, não xingue, não questione… Reprimi muito tempo minhas opiniões que geralmente são fortes, meus princípios de justiça, enfim esse sangue kaliente, por vezes xucro. Diva é criativa, desbocada, hiper ativa, encantadora e cansativa… Quer fazer tudo, quando eu consigo deitar ela não quer dormir… Quer conversar, dançar, escrever… Aliás, quando ela escreve é um sossego. Mas vou confessar uma coisa: Tem dia que ela me deixa estatelada, sem energia para nada, da vontade de mandar ela sumir de vez. Mas daí me lembro de quanto ela ameniza meus pequenos ou grandes sofrimentos, porque para ela tudo é mais fácil; tem uma frase que ela gosta muito: “Se tem solução para que se preocupar, se não tem solução para que se preocupar”. Mulher vai meu recadinho carinhoso para vocês: Deixem de vez em quando a Diva que está dentro de vocês vir a tona, ela está aí, talvez com outro nome, mas que está…está. Não é fácil nossa vida mesmo. Temos que ser boas em tudo: Em casa, no trabalho, na sociedade, é realmente de pirar. Como diz aquela velha música: “Extravasa!!! Libera e joga tudo pro ar…eu quero ser feliz antes de mais nada”! Arrume uma cúmplice, eu arrumei a Diva, quando tu sentir que abusou, que a barra pesou pro teu lado passe a bola para ela, que ela (sua cúmplice) tira de letra, todos já sabem que ela não bate bem da bola mesmo, vai passar batido, e ainda vão cuidar melhor de ti.