Dilma deve trocar metade dos ministros no segundo mandato

Governo novo, ideias novas. Dilma Rousseff (PT) garantiu no último domingo (26) a reeleição para a Presidência da República. A petista, que já havia terminado o primeiro turno na liderança, conquistou a maioria dos votos no segundo pleito, somando 51,4% contra 48,5% de Aécio Neves (PSDB), em uma votação extremamente acirrada – o resultado só pôde ser oficializado com 98% das urnas apuradas. Dilma permanece como chefe de Estado até 2018.
O mote da campanha de Dilma Rousseff (PT) inspira a composição dos ministérios no segundo mandato. Um primeiro escalão mais político e com maior espaço para o PMDB. Na dança das 39 cadeiras da Esplanada, a troca mais aguardada é a de Guido Mantega. O fraco desempenho da economia atingiu o ministro da Fazenda ainda no cargo. Ele prepara a despedida desde setembro, quando Dilma assegurou que mudaria o comando da economia se fosse reeleita. Será o fim de uma era na Fazenda, conduzida por Mantega desde março de 2006.
A especulação sobre o substituto agita o mercado financeiro. Titular da Casa Civil e fortalecido após a campanha, Aloizio Mercadante deseja o posto. Circulam os nomes do governador baiano Jaques Wagner, do ex-secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e de Otaviano Canuto, atualmente no Banco Mundial.
Para o segundo mandato de Dilma, acredita-se que pelo menos metade da Esplanada seja renovada. A presidente planeja retomar a estratégia de escalar ministros com maior peso político, escoltados por secretários-executivos técnicos na retaguarda. Além de um PMDB fiel, Dilma terá de agradar outras siglas para ter tranquilidade no Congresso. Assim, as entradas de Gilberto Kassab (PSD) e de pelo menos um dos irmãos Gomes, Cid ou Ciro (ambos do PROS) asseguram a fidelidade dos partidos. O PSB, que apoiou Aécio Neves, será convidado a voltar. O convite chegará com oferta de cadeira na Esplanada. Titular das Cidades ao longo do primeiro mandato, o PP pretende retomar a pasta, que cuida do Minha Casa Minha Vida e das obras de mobilidade urbana. Presidente da sigla e dilmista, o senador Ciro Nogueira (PI) aspira o posto. Contudo, a divisão do partido nos palanques estaduais pode inviabilizar o desejo do candidato.
Ministros de Dilma no primeiro mandato, Mercadante e Rossetto continuarão no primeiro escalão e com voz ativa no governo. Os dois ganharão a companhia do governador baiano Jaques Wagner, amigo de Dilma e também afinado com Lula, de quem foi ministro.

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