Construtor que perdeu as mãos em acidente de trabalho, sobrevive e se torna inspiração

Dar a volta por cima de todas as dificuldades e retomar a rotina diária. Assim pode ser resumida a história de Vilson Narcizo da Silva, 46 anos. Em agosto de 2010, Vilson construtor, como é conhecido, sofreu um acidente elétrico e caiu de quatro metros de altura em uma construção, e assim acabaram sendo amputadas suas mãos e parte dos braços.
Com partes do corpo queimadas, Vilson passou 60 dias internado, na maior parte do tempo em coma induzido. Sua esposa, Miriam da Silva, lhe contava tudo que estava acontecendo fora do hospital enquanto ele permanecia em coma. Segundo o construtor, sua vida continuou normalmente após o acidente, pois seu cérebro não processou o choque. “Para os médicos é difícil acreditar em milagres, mas no meu caso eles foram acreditando, na minha história, de como tudo aconteceu e também nas correntes de orações. Dali pra frente os médicos falaram que eu era um aprendizado pra eles”, relata Vilson. Com o apoio da família e de amigos, na volta para casa Vilson apenas precisou pensar em viver de novo e assim ele fez.
Ele não para. Planeja tudo antes de executar suas atividades e inventar suas adaptações. “Eu só não coloco as meias ainda”, afirma Vilson empolgado, pois todas as atividades do cotidiano ele consegue fazer sozinho. Desde pentear o cabelo, tomar banho, comer, escrever e dirigir. A rotina é a mesma que era antes do acidente, só que com tudo adaptado. “Eu adaptei primeiro meu psicológico, mas não tive nenhum acompanhamento de psicólogo, não precisei de remédios para depressão, não tive nada disso, desde o hospital. Só tomei remédios enquanto estava em coma induzido. Nunca fui de me abater. É uma dificuldade, não tem nem comparação, eu nasci de novo e tive que começar desde meus documentos.” Vilson tentou usar próteses de mãos, mas não conseguia executar algumas atividades com elas. Insatisfeito, ele as doou e com o passar do tempo o movimento de seus braços melhoraram, possibilitando suas invenções no dia a dia.
No trabalho, Vilson também adaptou o necessário. Agora ele administra suas construções, depois de vender a sua casa para reconquistar a estabilidade financeira, pois como antes do acidente, ele que provém o sustento da família. As sequelas ficaram na sua esposa e filhos, que ao passarem por essa situação foram afetados psicologicamente. O filho de Vilson, Vitor da Silva, com apenas sete anos na época, presenciou o acidente. “Eu tenho que ir a luta, não posso parar, pois eu faço primeiro por mim, me adaptando e depois eu faço por eles, porque se eu decaí, eles decaem também.”
Depois que voltou a trabalhar, Vilson passou também a dar palestras sobre superação e compartilhar a experiência. Já foi a escolas, igrejas e empresas. Só em 2015, ele palestrou para mais de mil pessoas e passou pelas cidades de Terra de Areia, Maquiné e Santo Antônio da Patrulha. Desde casais a crianças da pré-escola, a repercussão foi um tanto inesperada, segundo Vilson. “Nem toda a ajuda do mundo é possível se nós mesmos não nos adaptarmos. Quem é deficiente tem que se aceitar e fazer só o que ele pode, tentar adaptar ele mesmo, corpo e mente, e terá plena capacidade se a pessoa se aceitar”, finaliza o construtor.

Caroline Tidra

 

destaque

 

 

SAM_0618

 

SAM_0622

 

SAM_0627

 

Fotos: Vanessa Puls