Como reconhecer um governo neoliberal

Não é difícil reconhecê-lo, vivemos nele. O neoliberalismo é um sistema capitalista marcado pelo individualismo e pelo dinheiro, seu eixo principal, a lei de mercado. Defende a concorrência individual, vale mais quem pode mais. É a lei da competição e da competitividade. Para o neoliberalismo, a interferência da política nas questões sociais, gera ineficiência e improdutividade. Questiona a noção de direito e a concepção de igualdade como fundamento filosófico da existência de certos direitos sociais na sociedade democrática. Para o neoliberal a democracia não tem nada que ver com isto. Defende o Estado Mínimo e as instituições privadas. Isto ocorre de forma trágica, na saúde, na educação, na segurança social e nas políticas de emprego. O neoliberalismo transfere da esfera pública para a esfera mercado. Descarta a importância da Escola Pública como escola para todos.
Para o modelo neoliberal o ser humano é um cidadão privatizado e conservador. Não considera o todo da população como cidadãos. Principalmente os pobres, os marginalizados, excluídos da sociedade.
Culpa os pobres da pobreza, os desempregados do desemprego, os favelados da violência, os corruptos da corrupção, os professores da péssima qualidade de ensino. Além disso, abraça as multinacionais, exerce terrorismo de estado, não aumenta e atrasa salários.
Num mundo neoliberal globalizado como o nosso, é urgente desenvolver uma política cultural de visão crítica, junto aos movimentos sociais, sindicatos, associações, etc. conscientizando no sentido dos valores e dos direitos igualitários do ser humano. É preciso construir a esperança de maneira que o povo possa aspirar e encontrar um novo sentido de vida e viver os seus sonhos por um novo projeto de Sociedade. A globalização capitalista neoliberal põe em risco não só a dignidade como a própria vida e sobrevivência da humanidade, na defesa da natureza do nosso planeta.
É urgente universalizar a dignidade e transformar as forças generosas da pobreza em vida participativa, assumidas por todos, principalmente pela família e pelos educadores nas escolas, por outro mundo possível.
Frente aos grandes enfrentamentos e desafios que estamos vivendo no país, de confronto entre sistemas e de uma corrupção de 500 anos, já dizia Rui Barbosa em 1914:
“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

Rui Barbosa