Bem amigos da Rede Bobo…

Em 2006, errei e até comemorei por estar errado. Mas devido a isto, ao ver meu colorado se consagrar campeão da libertadores e do mundial sob o comando de Abel Braga, cuja contratação na época, bradei aos quatro ventos ser contra, prometi a mim mesmo aposentar meu lado comentarista de futebol, assim como já tinha feito com meu lado treinador e jogador, este último praticamente um “Natimorto”, visto que sempre fui um zagueiro dos ruins e para piorar, nanico.
Portanto, fiz um bem ao esporte bretão pendurando as chuteiras precocemente.
Dunga caiu e se não esperava nada diferente disso. A verdade é que o trabalho de um técnico de seleção praticamente se resume a escalar e motivar o grupo de atletas, pois não há tempo hábil para ser um verdadeiro treinador. Excetuando-se Telê Santana que mesmo com pouco tempo dava sua cara as equipes que comandava.
E faço uma pequena provocação, antes de continuar nosso papo:
Você escalaria uma seleção com nomes muito diferentes da do recém demitido Dunga?
Como disse, tenho me reservado o direito de permanecer calado nas discussões sobre futebol, aliás cada vez reservo menos tempo em minha vida para este fim. Mas acontece que na véspera da demissão de Dunga, assisti o Galvão Bueno surtando em mais uma crise de sua clássica bipolaridade, com a qual transita sem maiores pudores e constrangimentos entre elogios afetados e criticas efusivas contra a seleção, conforme a conveniência do momento.
Pois, ele sintetizou o problema do futebol a uma crise técnica que teria sua origem no caos político e escândalos de corrupção que ocorrem nas organizações que gerenciam o futebol brasileiro.
Até aí tudo bem, concordo. Eu penso que essa é uma das questões.
Só acho engraçado que as falcatruas na CBF acontecem desde sempre, mas enquanto a Seleção canarinho gerava lucros para muita gente, inclusive para TV Globo, o narrador e dublê de comentarista sequer tocava no assunto. O que se ouvia eram seus urros histéricos:
“-Rrrrrooonnnaaallllldinhooo !!!!!! Eeesse é o futebol brasileiroooo”.
Eu creio que os problemas ultrapassam a questão da má administração dos cartolas brasileiros. Eles sempre estiveram presentes, e o Brasil, ainda assim, era uma verdadeira usina de formação de talentosos jogadores.
Olhando rapidamente constataremos que não formamos mais craques há um bom tempo. Um dos indicadores é o prêmio de melhor jogador do mundo concedido pela Fifa, criado em 1991.
De 1993 até 2007 sempre havia entre os 3 finalistas, no mínimo 1 brasileiro. Tendo ganho a distinção Romário, Rivaldo, Ronaldo (três vezes), Ronaldinho (duas vezes) e Kaká. De 2007 pra cá, somente ano passado um brasileiro, Neymar, figurou na lista tríplice e com remotas chances de vencer, fazendo um papel similar a uma Miss Simpatia.
Outro sinal do tempo de vacas magras é o campeonato brasileiro. Há quantos anos não surge no certame um jogador revelação verdadeiramente diferenciado? O último foi novamente Neymar, e faz tempo.
Não tenho respostas, somente palpites. Entre eles, acho que tem se feito um trabalho equivocado nas categorias de base.
Os profissionais que trabalham nesses setores querem ser reconhecidos e para isso querem ganhar títulos, e às vezes isso não necessariamente é bom para a formação técnica dos atletas. Muitas vezes se prioriza um garoto com supremacia física em detrimento de um técnico porque o resultado competitivo será mais rápido.
Também poderia citar a visão mercantilista esportiva reforçada pela Lei Pelé (que pode ser extinta ainda esse ano), que gera a evasão de craques muito jovens para outros países sem estarem ainda completamente formados em seus fundamentos que caracterizariam o chamado futebol arte brasileiro.
Quero deixar claro que não sou “Globofóbico”, pelo contrário, até consigo assistir o Faustão às vezes sem tomar anti depressivo.
Concordo que a roubalheira e incompetência que, antes, na epoca do “teeetraa” ou penta não incomodavam Galvão, mas que agora são exaltadas, obviamente fazem parte do pacote que está destruindo o nosso futebol.
E agora, o antes cúmplice dos desmandos da Confederação Brasileira de Futebol, Galvão Bueno, brada com um oportunismo explícito e de boca cheia e voz embargada:
“-Temos que repensar o futebol brasileiro…”
E eu me despeço com a pergunta:
-Pode isso Arnaldo????