“Acompanhar, amar e perdoar os recasados”

Neste próximo domingo, em Roma, deverá ser concluído o Sínodo sobre a vocação e a missão da família. Estamos ansiosos por saber se alguma indicação nova será proposta para os casais recasados.
Na abertura da nona Congregação geral do Sínodo o Papa agradeceu as orações do povo em prol do Sínodo.
Nesta secção os trabalhos continuaram com pronunciamentos dos participantes a respeito da terceira parte do Instrumento, dedicada à missão da família hoje. De modo especial, o debate foi norteado na questão da admissão aos sacramentos da reconciliação e da Eucaristia para os divorciados recasados. Creio que seja o aspecto de maior expectativa.
Em alguns casos, foi dito que os sacramentos poderiam ser concedidos a quem tem consciência de que vive no pecado e tem vontade de não pecar mais. Esta concessão pode ocorrer segundo três critérios: discernimento caso por caso; comportamento exemplar dos fiéis; aproximação aos sacramentos somente nos casos de celebrações particularmente importantes.
Em outros casos, foi reiterado que a Igreja não exclui ninguém e que Cristo não veio para os saudáveis, mas para os doentes. Consequentemente, os divorciados recasados devem ser acompanhados, amados e perdoados, porque fazem parte da Igreja e são membros do Corpo de Cristo. Portanto, é natural que possam receber a Eucaristia.
Outros ainda sugeriram que a interpretação do direito canônico a este respeito não deve ser excessivamente rígida. Às vezes se esquece que a Eucaristia tem um valor antes de tudo salvífico para a alma do homem. Sendo assim, deseja-se uma pastoral mais adequada, que reforce e não enfraqueça a doutrina, partindo do pressuposto que a verdade é o encontro com Cristo-Pessoa e que falar dos sacramentos como instrumentos exclusivos para receber a graça torna difícil a proximidade com quem viveu um fracasso ou com quem não crê.
O importante, porém, é que a Igreja não crie ilusões. Voltou-se a refletir sobre a necessidade de preparar adequadamente os jovens ao matrimônio, com atenção especial à sua fé, porque a sua ausência pode representar a nulidade do vínculo.
A formação adequada às núpcias também permite evitar divórcios, sempre mais frequentes. O tema do acompanhamento de quem já fracassou retornou ao debate: muitos sublinharam que é responsabilidade da Igreja ir ao encontro das famílias feridas, anunciando a elas, com coragem, o amor de Deus e o caminho a seguir.
Ficamos no aguardo das novas indicações.