A solidaridade no bem comum A esperaça e a vida

Todo ser humano é portador de Esperança, mesmo em tempo de crise.
Estamos vivendo uma crise global, uma crise que busca entender a realidade e, a nós mesmos. Uma crise moral, crise de valores, da educação, da economia, crise ecológica, crise de preconceitos, de crenças arraigadas, uma crise civilizatória, de uma nova época, de ingresso no século XXI, do III milênio da Era Cristã. A crise é histórica, que arrasta consigo o planeta inteiro. É uma relação de forças de poder que atinge a humanidade toda. O Bem Comum dá lugar ao individualismo e a lei do mercado. O individualismo das pessoas tem o olhar voltado para si mesmas, olham de longe, não sentindo o outro, os outros do seu meio, onde vivem. Diz o ditado: O que os olhos não vêem o coração não sente. Resulta que muitas vezes, alguém do nosso meio, não está entre nós e não nos damos conta de perguntar onde ele está?
O desejo da justiça, a solidariedade, a esperança se traduzem em gestos concretos, como fez o Bom Samaritano. O Papa Francisco, nos alerta contra a miséria humana, em favor da pobreza com os pobres para os pobres pela dignidade para todos. Manter acesa a esperança na luta pela Justiça e pela Paz, vivendo solidariamente em nosso meio, é uma forma de estarmos sempre atentos na sociedade onde vivemos, desde a nossa família, na escola e em todo o grupo onde atuamos, olhando aos lados e não em linha reta. Desse modo, nossa consciência não se perde na cegueira.
Os avanços tecnológicos e a multimídia produzem consequências de todo tipo em todas as áreas da sociedade incluindo alguns, marginalizando e excluindo a maioria. Muitas vezes estamos lotados de informações e não sabemos o que está acontecendo, porque não há profundidade no saber, com julgamentos equivocados. Não podemos ignorar ingenuamente a interpretação dos fatos. Todo o cidadão consciente é politizado e age coerentemente.
A Política é a Ciência do Bem Comum. Paulo VI nos ensina que a política é a melhor forma de praticar a caridade, ou seja, a Justiça e a Paz dos povos.
Nosso país é multicultural, de todos os sangues do mundo, mas infelizmente, ainda estamos distantes de ser um país, liquidificador de culturas construído na unidade da diversidade, na partilha das suas riquezas. Necessitamos abraçar a fraternidade na esperança que une os povos por outro mundo possível, que respeite e ame a natureza porque ela nos fala e ainda não aprendemos a escutá-la.
Nós, os seres humanos, não somos os únicos seres de direitos, todo o ser vivo do planeta é também um ser de direitos. Agrava-se o problema ecológico, o meio ambiente se deteriora e coloca o ecossistema em perigo.
O Papa Francisco já anuncia que lançará mais uma importante encíclica que será sobre nosso planeta, com vistas a aprofundar a conscientização dos povos na valorização, respeito e amor à Obra do Criador, que a criou pela causa do Amor em dimensão cósmica.
Aqui em Osório, temos abraçado a causa do Papa Francisco, através da nossa Diocese. Celebramos o cinquentenário do Concílio Ecumênico Vaticano II na festa de Pentecostes. O Papa Francisco está resgatando na prática esta Primavera da Igreja Povo Deus que somos todos nós. Mergulhemos nas suas palavras de sabedoria e de esperança.
Francisco nos dá o testemunho do sopro da esperança para um mundo sufocado.