A palavra

Ao sair de casa, Christian viu na calçada da rua, trazido pelo vento, um cartão, com uma única palavra, que ele não conhecia. Mal entrou no escritório, mostrou o cartão à secretária e perguntou o significado da palavra. A secretária, entretanto, olhou, ficou espantada e, sem responder, afastou-se, foi embora e deixou Christian sem entender a estranha reação.
Ele enrubesceu intimamente, pensando que talvez tivesse cometido uma gafe ao perguntar sobre algo certamente ofensivo. Foi até à biblioteca pública e consultou dicionários, mas não encontrou a resposta. Chamou a bibliotecária que, gentilmente, prontificou-se a ajudá-lo. Foi, talvez, outra gafe, porque a bibliotecária, ao ler a palavra, também se afastou, deixando-o sem qualquer explicação.
Christian saiu da biblioteca e, na rua, telefonou para seu melhor amigo, filólogo, autor de um dicionário. Porém, ao mencionar a palavra, o amigou desligou o telefone, sem responder. Estupefato por todas essas reações, Christian voltou para casa e, mal chegou, contou à mulher o que estava lhe acontecendo. A esposa, doutora em letras, leu a palavra, mas ficou enfurecida e, sem responder, saiu porta afora. Ele foi atrás, chamando-a e implorando para que o perdoasse, qualquer que fosse a razão. Mas ela continuou andando, apressadamente e, depois, a correr. Ele correu atrás dela, mas, ao cruzar a rua, descuidou-se com o trânsito e acabou atropelado. Christian morreu ali mesmo, naquele triste dia de inverno. Ao ser atropelado, deixou cair o cartão, que foi levado pelo vento para outras calçadas…