A luz

“Deus disse: que a luz seja. E a luz veio a ser”.
“Faça-se a luz, se a luz se fez.”
O ser humano aprendeu que a luz é a base do mundo. Luz é energia e energia é a vida. Está na famosa equação de Albert Einstein: E = mc2 (energia igual a massa vezes velocidade da luz ao quadrado). A luz é tudo, inclusive como limite de velocidade, de aproximadamente 300.000 km por segundo. Medi-la e entender o que significa foi um grande feito da ciência, embora muitos ainda não tenham o horizonte que lhes cabe, não por sua vontade, mas por razões do próprio viver.
Deus foi previdente. Deu-nos a luz, mas nos deixou a noite, talvez como forma de distinção dos nossos valores e, também, representação do nosso direito ao livre arbítrio. A luz dos outros, que nos ilumina, tem o mesmo valor daquela com a qual os iluminamos. Devemos espargir a que temos e usufruir a alheia em benefício comum, segundo o seu significado.
“Não se põe o lume sob a mesa”.
O sol surge todos os dias e é a única fonte de vida, mas ainda há trevas, no cosmos e nos vazios da nossa inconsciência. Felizmente, muitos têm luz de sobra, enquanto a luz de alguns não é plena.
Sem luz não existe o mundo, e a que vimos, esplendorosa, não é a das nossas vaidades. Essa pode ter nesgas de escuridão. Nem a dos nossos maus atos. Essa é profundamente escura. A que ilumina o nosso ser é uma luz interior, de luminescência infinita, a das nossas purezas, das nossas ingenuidades, das nossas convicções, colhidas nos olhares de afagos. A mente esclarecida ilumina o nosso andar, mas as luzes mais profundas estão em nosso interior emocional. Há luzes em nosso coração. A simplicidade é uma luz, os afetos são luzes. Os olhares de compreensão tem um brilho de ternura.
O amor incondicionado faz brilhar os olhos.
Se há escuros, nessas vielas de desacertos, há também um acendedor de lampiões a andar por essas ruas. Andemos com ele a acendê-los por essas veredas. Nós temos o poder de iluminar a felicidade alheia. Há noites escuras e enluaradas, com vagalumes e estrelas brilhando em nossos anseios de viver. Não exista apagado, não viva no escuro. Acenda-se. Sinta aquela luzinha de esperança em teu interior e ilumine o mundo. Não apague o brilho dos outros. Esparja as luzes do ter ser para iluminar a condição alheia e as reentrâncias em teu caminho.
Ser feliz depende muito de fazer brilhar os olhos dos outros.