A Frigideira de Sassás Mutemas

Sassá Mutema era um matuto, um boçal, elevado por seus conterrâneos à condição de “Salvador da Pátria” local. Sim, embora eu não admita nem sob tortura que tenha assistido, estou ciente que este era o enredo chave de uma novela que marcou época na teledramaturgia brasileira.
Adoramos depositar nossas esperanças em algo ou alguém capaz de gestos milagrosos. Vivemos esperando esse alguém. Os Judeus acreditam na chegada do Messias; os cristãos afirmam que haverá a segunda vinda de Jesus Cristo; as encalhadas aguardam por um príncipe encantado que a essas alturas nem precisa vir montado em um cavalo branco, pode ser num “pangaré baio” que está valendo.
E nós gaúchos estamos há mais de trinta anos, desde a primeira eleição direta para governador, pós ditadura, procurando nosso Sassá Mutema. Já tentamos de tudo: partidos de direita, esquerda, centro e até marcha ré. Tivemos um governador negro, uma mulher, um patrício devoto de São Francisco de Assis, um galo missioneiro e agora um auto intitulado gringo colono. E nada do nosso Salvador.
O Fato é que ser eleito chefe do executivo gaúcho é decretar o final ou quase de sua trajetória político/eleitoral, como caminhar em direção à guilhotina. Tanto é que o Rio Grande do Sul nunca reelege um governador ou seque, seu sucessor do mesmo partido. O sujeito aceita pleitear esse cargo apenas por estatus, regozijo pessoal, e para atender as demandas empregatícias, e talvez outras menos nobres de seus correligionários de partido.
Acredito que não adianta nem o Patrão deste rincão ser praticamente um hortifrutigranjeiro para lidar com um pepino atrás do outro e descascar esse abacaxi. Na verdade penso que as mudanças que nosso Estado necessita são tão profundas e até impopulares para muitos setores que para resolvermos a situação, só estando todo mundo no mesmo barco, pode até ser o Seival de Garibaldi. Não precisamos de alguém para fazer milagres, precisamos de união.
Mas o que vemos é que a cada eleição volta o “remake, vale a pena ver de novo” do sucesso bélico do passado: Chimangos X Maragatos. O estado racha ao meio. Aqui é o paraíso das dicotomias, um Gre-nal sem fim.
São variadas as causas do nosso colapso financeiro. Baixa arrecadação, perdas da Lei Kandir, divida interna e alto comprometimento da receita liquida estadual com folha de pagamento do funcionalismo, entre ativos aposentados e pensionistas.
É, o mar não está para peixe. Então o Gringo anuncia corte de gastos, cessamento de pagamentos de dívidas, e pede compreensão pois são medidas drásticas mas necessárias.
E em contrapartida o que faz para demonstrar à gauchada que todos terão que dar sua parcela de sacrifício para tirarmos nossa querência desta penúria? Sanciona lei que reajusta o salário dos mandatários do executivo e deputados. Quer dizer então que o esforço e privação é para todos menos pros recém eleitos? Aí não tem graça, não brinco mais.
Pegou mal. Então voltou atrás, tipo marido que traí a esposa e se diz arrependido, que não queria fazer isso, que na verdade é uma vítima que fora seduzido, mas que não cairá mais na tentação.
O líder do governo defende seu chefe dizendo que o Governador de todos os gaúchos não pode ganhar menos que um gerente de banco. Concordo com ele, assim como concordo que um professor ou brigadiano não pode ganhar menos que muito balconista de loja. Nada contra quem ganha a vida honestamente atrás do balcão.
Um líder conquista a confiança de seus seguidores não com oratória, pois como diz o ditado: “Palavras comovem e atitudes convencem”.
Abomino ditaduras, mas ando descrente com a democracia. Ela inviabiliza projetos a longo prazo e sem reflexo nas próximas eleições. Talvez tenhamos que implementar um concurso para governador. Mas sem estabilidade no cargo, é claro. Se não, já viu…
Tchê, ou deixamos nossas diferenças de lado e vamos junto para peleia ou corremos o risco de ter que mudar um verso do nosso lindo Hino Riograndense para:
“Sirvam Nossas Barganhas de modelo a toda Terra!”
E a frigideira esquentando…