A Esponja da esperança

Como a mãe de todo mundo é a melhor do mundo, não vou escrever sobre a minha que também não é diferente.
Vou escrever sobre a Elena, a professora Elena, a amiga Elena, a pessoa Elena.
E que pessoa!
Sou suspeito, eu sei. Não tenho o desligamento emocional necessário para descrever de forma imparcial quem me deu a vida por duas ocasiões, não sendo isenta de dor em nenhuma delas.
Mas digo para vocês hoje, 25/07, no aniversário dela, que por vezes não sei se admiro mais a minha mãe ou a Elena.
Ou melhor, sei sim. Amo minha mãe, o que por si só é um sentimento acima dos julgamentos da razão, e admiro imensuravelmente a Elena, em todas as suas outras formas que não a de minha mãe.
Por que?
Primeiro porque desde pequeno me habituei a escutar pelas ruas de Osório:
– Fui aluno da tua mãe. Que baita professora.
Isso já seria legal se sua área de atuação fosse a educação física, por exemplo, que os alunos costumam adorar. Mas, não, a Elena sempre ensinou a temida arte dos números, a implacável matemática.
Mas acho que a principal razão de eu admirar essa pessoa que coincidentemente também é minha mãe, é por ela ser uma das pessoas mais humildes que conheço. E aqui me refiro a acepção mais nobre da palavra.
Ela tem a humildade de quem compreende perfeitamente que não é menor e nem maior do que ninguém. Que por mais que possa saber sobre determinado assunto, nunca sabe o suficiente ao ponto de não ouvir atentamente o que o outro lhe tem a dizer.
Eu definiria a Elena como uma esponja. Está bem, eu sei que os maliciosos vão dizer que é porque ela adora enxugar uma cervejinha com os amigos, e “on the rock’s” ainda por cima; sim ela é a única pessoa do universo que toma cerveja com gelo.
Mas não é por isso que a comparo à esponja. Faço a analogia porque ela está sempre apta a sugar todo o aprendizado que o mundo tem a lhe oferecer.
Ela é uma xícara vazia, constantemente pronta para receber algo novo da vida. Xícaras cheias não recebem mais nada, transbordam.
E é justamente a humildade que faz da Elena, uma esponja, uma xícara vazia.
O fato de ela não se julgar sábia, a tranformou em uma.
Se ela tem a ver com os caminhos tortuosos que tomei na vida?
Sim, claro que tem.
Se não fosse tudo de bom que ela jogou para dentro de mim, se não fosse as migalhas de pão que ela deixou para demarcar o caminho de volta como fizeram na historinha o João e a Maria, eu nunca mais teria me reencontrado.
Ela é um poço de otimismo, vê o melhor que cada um tem dentro de si.
Nunca perdeu a esperança em duas causas quase perdidas: eu e nosso errático e pouco inspirador país.
Por isso nunca desistiu de mim e por isso sempre saúda a todos, em alto e bom som, com o brado que já é sua marca registrada:
“- BRASIIIIILLL!!!!!!!!!!”
Parabéns Elena, não a melhor mãe, mas a melhor PESSOA que já conheci.